IEDI na Imprensa - Dívidas e juros altos abatem indústria de alta tecnologia
O Globo
Produção do complexo eletrônico teve queda de 14,9% em junho
Cássia Almeida
Os juros altos e o endividamento das famílias abateram o setor de alta tecnologia da indústria brasileira. A queda acumulada foi de 1,9% no segundo trimestre, provocada pelo complexo eletrônico, que já vem caindo há seis trimestres seguidos, de acordo com levantamento do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI).
A produção do complexo eletrônico (equipamentos de informática, rádio, TV, comunicação e instrumentos médicos de precisão) caiu 14,9% em junho e 7,9% no trimestre.
A leve expansão do conjunto da indústria de transformação de 1% em junho e de 0,7% no segundo trimestre veio de uma pequena recuperação de setores que estavam reduzindo produção.
— No segundo trimestre só cresceu quem vinha de vários trimestres ruins. Foi um período de algum alívio depois de uma sequência de quatro trimestres sem crescimento — dizRafael Cagnin, do IEDI, que fez o estudo.
Ainda com algum fôlego no grupo estão o segmento farmacêutico e o de aeronaves.
No grupo de indústrias de média-alta tecnologia, os veículos vêm ganhando espaço e impedindo que a produção caia mais. O movimento reflete mais estímulos do que demanda, segundo Cagnin. A produção do segmento em junho cresceu 16,5% frente ao mesmo mês do ano passado:
— De um lado, há alguma estratégia dos bancos das montadoras para amortecer o quadro de juros elevados e endividamento. Dois outros fatores contam também. A BYD começou a produzir internamente, com montagem local, processo que vem evoluindo.
O segundo fator, diz, são os incentivos do governo, como o programa Move Brasil destinado a taxistas e motoristas de aplicativo para compra do carro zero:
— Houve também o programa de renovação de frota de caminhões, financiamento para transporte público. São diversos fatores que ajudam o setor.
Importação aumenta
O setor de máquinas e equipamentos vem sofrendo concorrência forte da China, que já é responsável por 36% da importação brasileira. A parcela chinesa é maior do que a dos Estados Unidos (15%), da Alemanha (11%) e da Itália (6%) juntas, parceiros mais tradicionais desse tipo de bem, enquanto a produção interna vem caindo. No segundo trimestre, foi 6,3% menor.
