IEDI na Imprensa - IEDI propõe plano para ter investimento como carro-chefe do PIB
Valor Econômico
Documento da entidade faz diagnóstico de problemas brasileiros e afirma que fim do bônus demográfico exige contínuos ganhos de produtividade
Marli Olmos
O diagnóstico dos problemas do Brasil está pronto. Sabe-se que a produtividade cresce lentamente, a infraestrutura é insuficiente e o custo de capital continua a ser uma barreira ao investimento. São igualmente conhecidos os entraves do setor público, da educação, do ambiente regulatório e da segurança jurídica. O que falta, na avaliação do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), é transformar esse diagnóstico em uma agenda de práticas capaz de atravessar governos.
Documento elaborado pelos 40 integrantes do Conselho do IEDI traça diretrizes de longo prazo para recolocar o investimento no centro da estratégia de desenvolvimento do país. “São orientações e princípios que julgamos fundamentais para superar desafios que já não são novos”, afirma Guilherme GerdauCotação de Gerdau, presidente do Conselho do IEDI. A proposta, destaca o dirigente, não é apresentar um plano de governo. Embora o período eleitoral convide à reflexão, para escapar de mais um ciclo político o IEDI chama o trabalho de Documento 2040.
O documento destaca que há décadas o Brasil cresce em ritmo inferior ao de países mais dinâmicos, sobretudo os asiáticos. E compara a taxa de investimento brasileira, hoje em torno de 17% do PIB, com a de países asiáticos: 22% na Tailândia, 29% no Vietnã, 30% na Índia e cerca de 40% na China.
Com o fim do chamado bônus demográfico, com menos trabalhadores ingressando no mercado, destaca o levantamento, a expansão da economia dependerá cada vez mais de ganhos de produtividade. “Precisamos sair do modelo de crescimento baseado no consumo e gasto público para o de crescimento a partir de investimento”, diz GerdauCotação de Gerdau.
Para o dirigente, o quadro revela que o país não tem conseguido transformar seus recursos em capacidade produtiva. “Por que nós não conseguimos crescer acima ou em par com a OCDE? Por que ficamos tão para trás? É pela falta de investimento”, completa.
O documento propõe uma agenda em diferentes frentes: capital acessível, infraestrutura, capital humano, segurança jurídica, governança e eficiência do Estado. Crédito mais competitivo reduz o custo do investimento. Infraestrutura diminui custos e tempo de deslocamento. Capital humano melhora a produtividade. Regras mais claras reduzem incertezas. E um Estado mais eficiente pode entregar serviços públicos com menor custo e maior previsibilidade.
Para GerdauCotação de Gerdau, o debate brasileiro costuma se concentrar em medidas pontuais enquanto questões estruturais permanecem sem solução, entre elas a organização do orçamento, o crescimento das despesas obrigatórias, a Previdência, a eficiência administrativa e o funcionamento das agências reguladoras.
“A gente se perde, às vezes, entre esquerda e direita e não trata da modernização e organização das agências regulatórias”, afirma. Para o dirigente, regras previsíveis são essenciais para investimentos de longo prazo, especialmente em setores como infraestrutura e energia.
O problema fiscal está no centro do debate. A expansão persistente das despesas públicas pressiona inflação, juros e, consequentemente, o custo do capital privado. Um dos pontos destacados pelo IEDI é o peso da despesa previdenciária. GerdauCotação de Gerdau lembra que enquanto o Brasil destina cerca de 15% do PIB à Previdência, em economias asiáticas, que investem entre 30% e 40% do PIB, cerca de 6% a 8% do PIB vão para a Previdência.
Para o empresário, a elevada participação desses gastos ajuda também a explicar por que os investimentos públicos permanecem em níveis historicamente baixos. “O país levou décadas para compreender a relação entre gasto descontrolado e inflação. Não podemos demorar mais 30 anos para tentar buscar a solução.”
Precisamos sair do modelo de crescimento baseado no consumo e gasto público para o de crescimento a partir de investimento”
Infraestrutura é outro ponto considerado fundamental. Para o IEDI, o Brasil deixou de investir o suficiente em estradas, ferrovias, portos, energia, saneamento e outros setores, ao contrário do que se viu, diz GerdauCotação de Gerdau, em China, Índia, Turquia, Vietnã, Tailândia, Indonésia e Malásia.
“A infraestrutura é o grande habilitador do ganho de produtividade”, afirma. Para ele, investimentos nessa área reduzem custos, melhoram a logística, ampliam mercados e criam condições para novos investimentos privados. “Precisamos sair do modelo de gasto público e consumo para o modelo de investimento em infraestrutura. É isso que vai nos dar sustentabilidade de crescimento futuro”, destaca.
Embora a indústria não seja o foco do documento, GerdauCotação de Gerdau defende seu papel como vetor de desenvolvimento por concentrar cadeias produtivas mais longas, maior intensidade tecnológica e demanda por inovação. “A indústria é um vetor de desenvolvimento que o país tem desperdiçado.”
O IEDI também destaca a necessidade de o país ampliar a inserção internacional, o número de parceiros comerciais e a pauta de exportações. O cenário internacional, porém, mudou. O aumento das barreiras protecionistas e a reorganização das cadeias globais exigem uma política de negociação mais ativa, especialmente em áreas nas quais o Brasil tem vantagens competitivas, como a descarbonização.
No entanto, destaca GerdauCotação de Gerdau, apesar de o país possuir uma das matrizes elétricas mais renováveis do mundo, os custos são elevados. Ele cita o gás não convencional como uma das possibilidades a serem avaliadas, mencionando a experiência americana com o gás de xisto.
Apesar do cenário pessimista, o país também passou, nas últimas décadas, por mudanças estruturais importantes, segundo o dirigente. Ele cita o controle da inflação nos anos 1990 e o fortalecimento das reservas internacionais nos anos 2000. As reservas estão na faixa de US$ 350 bilhões a US$ 370 bilhões e podem chegar a US$ 400 bilhões.
Por isso, diz, o mercado internacional continua a ver potencial na economia brasileira. O paradoxo, destaca, é a distância entre esse potencial e o baixo crescimento. “Os investidores olham o potencial, olham a estrutura do balanço de pagamentos e dizem: é realmente uma economia que gera muito dólar, que tem um saldo credor, mas que cresce muito pouco.”
Depois de anos de diagnósticos, o desafio brasileiro passa a ser outro. “Precisamos agora entrar em modo ação”, diz GerdauCotação de Gerdau.
O Documento 2040 foi entregue aos coordenadores das campanhas presidenciais. Mas o IEDI reitera que a agenda não se esgota com a troca de governo. “Sobrevive à eleição, ao próximo mandato e sobreviverá nas próximas eleições”, afirma GerdauCotação de Gerdau.
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