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                          Análise IEDI

                          Setor Externo
                          Publicado em: 27/05/2013

                          O setor externo em 2012: Três tendências

                           
                          Os dados do Banco Central para as contas externas brasileiras no primeiro quadrimestre trazem três pontos merecedores de reflexão: a) os fluxos de capitais para o país não estão caindo, ao contrário do que vinham antecipando algumas análises; b) há um crescimento do déficit em transações correntes que se não é desesperador, inspira cuidados; c) a queda de competitividade na indústria brasileira se reflete no interesse do capital estrangeiro no setor, de modo que, nesse caso, caíram muito os ingressos de investimento direto estrangeiro (IDE).

                          Ao contrário do que analistas antecipavam a insatisfação dos investidores externos para com o Brasil – se é que há essa insatisfação na magnitude com que vem sendo anunciada – não se traduziu em retração da entrada de recursos para o País. Os ingressos líquidos na verdade melhoraram significativamente. Assim, o resultado da conta capital e financeira, que foi positiva em quase US$ 40 bilhões, superou em 10% seu equivalente no mesmo período de 2012 (US$ 36,4 bilhões).

                          Isto ocorre a despeito dos juros mais baixos e da menor volatilidade cambial em vigor no país. Ambos os fatores deram fim aos elevados e quase garantidos ganhos que desfrutavam as aplicações de fundos externos no Brasil. Dentre as modalidades de capitais, o investimento direto estrangeiro (IDE) mantém-se em níveis elevados de ingressos líquidos, muito embora tenha registrado pequena queda de 6%, somando US$ 19 bilhões nos quatro primeiros meses do corrente ano e US$ 20 bilhões no mesmo período do ano passado.

                          As compras de ações de empresas nacionais no Brasil e no exterior e os investimentos em títulos de renda fixa no país compensaram largamente o declínio no IDE. No primeiro caso, os valores passaram entre 2012 e 2013 (períodos de janeiro a abril) de US$ 5,2 bilhões para US$ 7,7 bilhões (+49%) e, no segundo, de US$ 0,8 bilhões para US$ 2,8 bilhões (+274%). Os novos empréstimos externos de médio e longo prazo, líquidos das amortizações, somaram US$ 4,2 bilhões e US$ 4,7 bilhões (+12%), respectivamente nos quatro primeiros meses de 2012 e 2013.

                          Se ocorrer uma mudança súbita no presente cenário externo o que é possível dada a alta indefinição da economia mundial, o quadro favorável do fluxo de capitais ao país no primeiro quadrimestre pode ser alterado. Mas, pelo menos por enquanto, a fonte maior de preocupação no balanço de pagamentos brasileiro não reside no lado do financiamento, mas sim no lado das transações correntes. No primeiro quadrimestre, o déficit de US$ 33 bilhões, foi 90% superior ao dos quatro primeiros meses de 2012 (US$ 17 bilhões). Em termos do PIB, correspondeu a 4,3%, o mesmo índice de 2001, este o ano que precedeu a última e uma das mais graves crises do balanço de pagamentos do país.

                          Hoje, a situação da economia brasileira é muito superior do que naquele ano: as reservas de US$ 379 bilhões são incomparavelmente maiores, o país preserva boa atratividade para o investimento estrangeiro e suas empresas têm crédito (a colocação de títulos há poucos dias atrás da Petrobrás é prova disso), o que minimiza o risco de uma crise de financiamento externo. Contudo, o nível do desequilíbrio com o exterior não é nada confortável.

                          As contas externas devem melhorar nos próximos meses e a projeção do Banco Central é que o ano feche com déficit de 2,8% do PIB (2,4% do PIB em 2012), correspondente a US$ 67 bilhões (US$ 54 bilhões no ano anterior). Para isso, no entanto, é necessária uma reversão nada desprezível no comércio exterior: de saldo negativo de US$ 6 bilhões no primeiro quadrimestre para superávit de US$ 15 bilhões no ano como um todo. A balança comercial deve de fato passar a ser superavitária, seja pelo fim do efeito do registro atrasado de importações de petróleo, seja pela maior safra e consequente aumento das exportações agrícolas. Contudo, não devem ser deixados de lado dois problemas graves com potencial de restringir o ajuste de exportações e importações no corrente ano.

                          Primeiro, o fator preço internacional de commodities que pode continuar prejudicando as vendas externas de bens primários da mesma forma que prejudicou nos primeiros quatro meses. Segundo, a situação do comércio de produtos industriais cujo déficit não parou de aumentar mesmo com a estagnação da economia. As importações seguem absorvendo todo ou quase todo aumento do mercado interno de bens da indústria e as exportações entraram em franco processo de declínio, dado o baixo crescimento do comércio mundial e os problemas com destacados parceiros comerciais (como a Argentina).

                          As exportações totais brasileiras caíram 4,3% nos quatro primeiros meses de 2013 frente ao mesmo período de 2012 (passando de US$ 74,6 bilhões para US$ 71,5 bilhões) enquanto as importações subiram 8,8% (de US$ 71,6 bilhões para US$ 77,6 bilhões). Segundo estudos do IEDI, as exportações de bens industriais tiveram queda de 5% no primeiro trimestre de 2013, sendo de 12% a retração em bens de alta e em média-alta tecnologia. O Brasil demorou muito em se dar conta que os bons tempos das commodities deveriam servir para diversificar nossa pauta exportadora e não para aprofundar ainda mais a dependência a esses produtos.

                          Finalmente, a questão do investimento estrangeiro no setor industrial. Se é tomado o ingresso de IDE na forma de participações no capital, no primeiro quadrimestre desse ano houve queda de 47,8% sobre igual período de 2012 (valores de US$ 4,8 bilhões e US$ 9,2 bilhões). Algumas observações sobre esse resultado: Primeiramente, para o conjunto dos setores (além da indústria, o setor de serviços e a agropecuária e a indústria extrativa), a queda chegou a 25%, mas unicamente ocasionada pelo resultado da indústria de transformação; com a exclusão da indústria haveria aumento de 0,7%. Em segundo lugar, um resultado também negativo já havia sido registrado para a indústria no ano de 2012, com queda de 17% frente a 2011. Por fim, com o declínio dos investimentos externos no setor, a indústria passou a representar em 2013 até abril apenas 35% do ingresso de IDE, contra 52% no mesmo período do ano anterior.

                          O leque de ramos atingidos pela redução do IDE é amplo e representativo da indústria brasileira. Assim, tiveram quedas muito expressivas segmentos da indústria de base, como metalurgia (-78,1%) e produtos químicos (-62,1%), além de alimentos (-42,1%), veículos (-36,9%) e bens de capital/máquinas e equipamentos (-20,8%). Produtos de borracha, farmacêuticos e derivados do petróleo mantiveram atratividade. Nossa interpretação é a de que o resultado negativo para o IDE na indústria brasileira reflete sua baixa competitividade frente a condições mais favoráveis em outros países.
                           

                           

                           

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                          Na conjuntura atual de elevadas taxas de juros, os avanços industriais tendem a ser pontuais, como indica o resultado de set/25, que anulou maior parte da expansão de ago/25.

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