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                          Carta IEDI

                          Edição 597
                          Publicado em: 08/11/2013

                          O Descompasso Brasileiro Entre Investimento Externo Direto e Participação nas Cadeias Globais de Valor

                          Sumário

                          O IEDI dá sequência aos trabalhos que vem realizando sobre a inserção brasileira no comércio exterior e nas cadeias globais de valor. O tema do relatório anual de investimento da UNCTAD, Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, (World Investment Report 2013 - Global Value Chains: Investment and Trade for Development) este ano foi a conexão entre investimento e cadeias de valor globais, CVG. A presente carta do IEDI faz uma análise do documento, que incluiu também uma metodologia própria para mensurar o valor adicionado no comércio internacional de bens e serviços. E toma algumas contribuições do relatório para discutir o caso brasileiro.

                          Lembrando, CVG é um termo que designa um complexo processo produtivo envolvendo a dispersão pelo mundo das atividades e tarefas, tanto sob forma de cadeia ou de redes complexas. Por usa vez, o investimento estrangeiro direto (IED) é constituído quando o investidor de fora de um país detém 10% ou mais das ações ordinárias ou do direito a voto numa empresa.

                          Em 2012 o investimento estrangeiro direto global caiu 18% (somando 1,35 trilhões), sendo que dois terços desta queda foram devidos à menor entrada de IED na Europa. Pela primeira vez os países em desenvolvimento absorveram mais IED do que as nações desenvolvidas (52% vs. 42%). E ainda, os países em desenvolvimento foram a origem de quase um terço do IED mundial, confirmando a tendência de maior participação não somente como destino, mas também como origem. Isso porque em 2012 as saídas de IED dos países desenvolvidos caíram para os níveis de 2009, o que sinaliza a posição cautelosa das empresas multinacionais (EMN) dos EUA, Europa e Japão.

                          As nações que mais atraíram IED continuaram sendo Estados Unidos e China. Hong Kong é o 3o colocado e o Brasil alcançou a 4ª posição no ranking, elevando-se em uma colocação em relação a 2011. Por outro lado, os maiores investidores são EUA, Japão, China e Hong Kong. O Brasil, apesar de ser o quarto maior receptor e estar entre as 10 maiores economias do mundo, não figura na lista dos 20 maiores países investidores internacionais.

                          Em 2012, o IED do Brasil como parcela do IED mundial, medido em dólares, alcançou 4,8%, um dos resultados mais fortes desde 1980. Examinando-se vários os indicadores conclui-se que no Brasil o ingresso de IED tem maior peso do que a média mundial. Como parcela do PIB, a entrada de IED no Brasil foi de 2,9% em 2012, superior à média mundial (1,8%) e à média dos países em desenvolvimento da Ásia (2,1%), por exemplo. Em relação à formação bruta de capital fixo, a parcela do IED é de 11,6% no Brasil, enquanto a média mundial é 10,8%. E como parcela do volume de comércio o índice brasileiro é de 23,1% enquanto no mundo é de 6% (dados UNCTAD). O valor alto desses dois últimos indicadores provavelmente está sendo mais influenciando pelos baixos denominadores em relação a outros países.

                          Por outro lado, a participação do Brasil nas exportações mundiais é bem discrepante em relação ao tamanho de sua economia: 22o em 2011 (dados FMI). E está muito atrás no ranking das exportações em termos de participação nas cadeias produtivas globais. E ainda, a participação do Brasil nas CVGs não somente é mais fraca como também apresenta baixo nível de sofisticação tecnológica. Em 2010, 60% das exportações brasileiras em termos de valor adicionado eram de recursos naturais, 5% de manufaturas de baixo conteúdo tecnológico, 15% de manufaturas de média tecnologia, e somente 5% de manufaturas sofisticadas e 10% de serviços mais intensivos em conhecimento.

                          Essas informações levam a crer que o alto IED que ingressa no país tem se voltado para etapas/ atividades das cadeias de valores globais de menor valor e, principalmente, para aproveitar o mercado interno nos setores da indústria de transformação e de serviços (que somam cerca de 90% do IED ingressado).

                          Logo, há uma clara discrepância entre, de um lado, o tamanho da economia brasileira e seus resultados em termos de atração de IED, e de outro, o desempenho das exportações e a participação do país nas CVGs. De outro modo, no mundo, conforme aponta a UNCTAD (2013), os países com maior estoque de IDE como percentual do PIB possuem as seguintes características: 1) maior conteúdo importado nas exportações (em geral trazido pelas empresas multinacionais envolvidas); 2) maior participação nas CVG; 3) maior participação nas exportações medidas por valor adicionado do que em termos brutos.

                           
                          Introdução. Dando continuidade aos estudos sobre Cadeias de Valor Globais (CVG), a intenção desta Carta é analisar a relação entre CVGs e investimento, principalmente Investimento Estrangeiro Direto (IED). Lembrando, CVG é um termo que designa um complexo processo produtivo envolvendo a dispersão pelo mundo das atividades e tarefas, tanto sob forma de cadeia ou de redes complexas. Por usa vez, o IED é um dos dois tipos de  investimento estrangeiro (o outro é o investimentos em carteira). Segundo a Receita Federal do Brasil, o investimento direto é constituído quando o investidor detém 10% ou mais das ações ordinárias ou do direito a voto numa empresa; e considera-se como investimento em carteira quando ele for inferior a 10%.

                          As conexões entre CVGs e investimento foi tema do último relatório sobre investimentos no mundo da UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento). O trabalho busca analisar as conexões entre investimento e comércio internacional, principalmente no contexto dos países em desenvolvimento, incluindo sugestões concretas de política econômica para potencializar as vantagens de se engajar em CVGs e evitar as armadilhas que as mesmas apresentam.

                          Assim, o presente texto realiza uma resenha deste documento, acrescentando informações pertinentes e uma análise sobre IED e CVG no Brasil. Esse intento é realizado nas quatro seções a seguir. A primeira descreve o contexto atual de investimento no mundo; a segunda analisa as conexões entre IED e CVG; a terceira coloca algumas reflexões a respeito de política econômica relacionada ao tema e a quarta examina IED e CVG no Brasil.

                          O Investimento Global no Contexto Atual. Em 2012 o investimento estrangeiro direto global caiu 18% (somando 1,35 trilhões), sendo que dois terços desta queda foram devidos à menor entrada de IED na Europa. As estimativas da UNCTAD para 2013 prevêem um cenário mundial de investimentos similar ao do ano anterior. A queda do IED global em 2012 corresponde a uma desaceleração do crescimento global em termos reais e do volume de comércio desde 2010. Essa diferença reflete o estado de alerta das empresas multinacionais para efetivar novos investimentos, bem como a reestruturação interna que elas vêm sofrendo – que vão desde a reestruturação do portfólio de ativos, ou a realocação de atividades e tarefas ou até o desinvestimento. 





                          Aliás, segundo o relatório em 2012 pela primeira vez na história os países em desenvolvimento absorveram mais IED do que as nações desenvolvidas (52% vs. 42%). E ainda, os países em desenvolvimento foram a origem de quase um terço do IED mundial, confirmando a tendência crescente de maior participação não somente como destino, mas também como origem. Isso porque em 2012 as saídas de IED dos países desenvolvidos caíram para os níveis de 2009, o que sinaliza a posição cautelosa das empresas multinacionais (EMN) dos EUA, Europa e Japão.

                          Segundo UNCTAD (2013), em termos de destino, em 2012 o crescimento do IED para a Ásia foi de 7% (totalizando U$ 400 bilhões), em geral associados a indústrias mão-de-obra intensivas e ao setor de infraestrutura. Na África a entrada de IED se elevou 3,7% (total de U$ 50 bilhões), puxado pelas indústrias extrativas e, em menor escala, por indústrias de bens de consumo interessadas no mercado doméstico dos países africanos. Na América Latina e Central, a entrada de IED em 2012 foi 18% superior a 2011, para os mesmos segmentos do caso africano. Em especial, mais da metade dos investimentos de greenfield na América Latina e Central, se destinou ao setor primário nos últimos anos.





                          Em termos de países, aqueles que mais atraem IED continuam sendo Estados Unidos e China. Hong Kong é o terceiro colocado e o Brasil já ocupa a 4ª posição no ranking, elevando-se uma colocação em relação a 2011. Outros destaques são a elevação da posição do Reino Unido, 10º colocado em 2011 e 6º em 2012 e Chile – de 17º para 11º.

                          Os países do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) são grandes receptores de IED entre os países em desenvolvimento e também os maiores investidores dentro daquele grupo. Para se ter uma ideia, a saída de IDE cresceu de US$ 7 bilhões em 2000 (1% do total mundial) para US$ 145 bilhões em 2012, o que equivale a 10% do total mundial.

                          A maior parte do investimento dos BRICS fora de seus países são destinados a ganhar mercado em países desenvolvidos (40% do total), sendo 34% apenas na Europa) ou nas cadeias de valor regionais. UNCTAD assinala que apesar do investimento na África significar apenas 4% do total investido pelos BRICS, estes países estão entre os maiores investidores naquele continente. A parcela dos BRICS na entrada de IED na África se elevou de 14% em 2010 para 25% em 2012. A maioria é em manufaturas e serviços, apenas 10% dos projetos em termos de volume ou 25% em termos de valor são no setor primário.





                          Por outro lado, os maiores investidores são EUA, Japão, China e Hong Kong. O Brasil, apesar de ser o quarto maior receptor e estar entre as 10 maiores economias do mundo, não figura na lista dos 20 maiores países investidores internacionais.

                          Uma observação final nesta seção é a de que o investimento global tem contado com crescente internacionalização das Empresas Estatais (EE). A maior parte das mais de 200 EE que passaram a operar no exterior entre 2010 e 2012 - quando o número de EE transnacionais elevou-se de 650 para 845 - provém de países em desenvolvimento. Assim, a participação das EE no IED global em 2012 cresceu e já representa 11% do total, estando concentradas principalmente em setores de recursos naturais e de ativos estratégicos (propriedade intelectual, tecnologia, marcas).

                          Conexão CVG e IED. Para melhor contabilizar o fluxo de mercadorias entre países e conseguir medir o que corresponde às CVGs, nos últimos anos diferentes entidades e projetos desenvolveram modernas técnicas de mensuração em termos de valor adicionado dos bens e serviços. Em relatório anterior do IEDI, mostraram-se os dados da OCDE/ OMC de valor adicionado no comércio, neste exibem-se os da UNCTAD, que abarcam quase a totalidade dos países do mundo e quase 500 subsetores industriais.



                          De modo geral, os investimentos estão cada vez mais atrelados às cadeias de valor globais (CVG) lideradas por empresas transnacionais, o que segundo os cálculos da UNCTAD equivale a 80% do total mundial. Há clara correlação entre estoque de entrada de IED e participação nas CVGs, que é medida como a somatória de dois indicadores: a parcela dos insumos importados nas exportações (componente para trás) e a parcela das exportações de bens intermediários nas exportações de outros países (componente para frente). A média global de participação nas CVGs é de 57%, sendo 59% em países desenvolvidos e 52% naqueles em desenvolvimento.





                          O crescimento das transações nas cadeias de valor globais, bem como a maior complexidade de suas redes, implicam um aprofundamento da internacionalização ao nível de atividades e tarefas, não apenas de etapas produtivas ou elos da cadeia. Algumas consequências importantes são o crescente comércio de bens e serviços intermediários, que já equivalem a 60% do total. Outra consequência é o peso cada vez maior dos serviços nos fluxos de mercadorias e capitais internacionais.



                          Afinal, se em termos de exportações brutas os serviços equivalem a 20% do total mundial, em termos de valor adicionado (retirando a dupla contagem relacionada aos bens intermediários) eles representam 46%. E ainda, em termos dos estoques de IED ingressados, os serviços equivalem a 67%. Já o setor manufatureiro representa 71% das exportações brutas, 43% do valor adicionado no comércio e 26% do estoque de IED.

                          No que tange o indicador para trás da participação em CVGs, segundo as estimativas da UNCTAD, cerca de 28% das exportações brutas globais de 2010 corresponderam a um valor adicionado importado e incorporado em outros produtos e serviços posteriormente exportados. Isso implica que algo como US$ 5 trilhões dos US$ 19 trilhões das exportações globais brutas (2010) são dupla-contagem.

                          Assim, de acordo com a metodologia da UNCTAD, em 2010 o valor adicionado estrangeiro nas exportações era maior nos países desenvolvidos (28%) do que nos países em desenvolvimento (25%). No grupo dos desenvolvidos, destaca-se a alta participação do valor adicionado estrangeiro na União Europeia (39%) e por outro lado, participações mais baixas nos EUA (11%) e Japão (18%). Dentre os países em desenvolvimento, o índice chama a atenção na Ásia do leste e sudeste (30%) e América Central (31%) - sendo que a América do Sul apresenta um dos índices mais baixos (14%).



                          Entre setores, a dispersão é bem diferenciada, sendo a parcela do valor adicionado estrangeiro nas exportações mais elevado em manufaturados pra uso em escritório, contabilidade e computadores, seguido por veículos automotores e equipamentos de TV, rádio e comunicações. Contudo, estes valores mudam entre os grupos e países em desenvolvimentos e desenvolvidos. Por exemplo, na indústria automotiva de países em desenvolvimento, o conteúdo estrangeiro nas exportações chega a 55% - sendo pouco mais de 30% em países desenvolvidos (UNCTAD, 2013).



                          Então, contrastando as informações de participação dos países nas CVGs e a de conteúdo importado nas exportações, UNCTAD (2013) aponta que os países com maior estoque de IDE como percentual do PIB possuem as seguintes características:

                          1) Maior conteúdo importado nas exportações (em geral trazido pelas empresas multinacionais envolvidas);

                          2) Maior participação nas CVG;

                          3) Maior participação nas exportações medidas por valor adicionado do que em termos brutos.



                          O quanto a participação em CVGs vai impactar no investimento direto que entra e sai de um país depende da internacionalização de suas empresas e de suas diferentes estratégias internas de governança e de relações com fornecedores: pode ser desde uma participação mais contundente via IED ou através de contratos de mercado individuais. Estes arranjos diferentes resultam em estruturas de poder específicas, moldando também a distribuição dos ganhos de comércio da CVG e as implicações para o desenvolvimento de cada região envolvida.

                          Como já dito, por causa da tendência crescente de fragmentação das CVGs, sua governança exige maior atenção para aspectos relativos à comunicação, fluxo de informações e logística envolvendo a rede global de operações das transnacionais. É necessário também capacitação para administrar estruturas produtivas mais complexas, fragmentadas e dispersas geograficamente. Os investimentos e o comércio, naturalmente devem ser bem planejados para atender as estratégias e objetivos das empresas.

                          Nesse sentido, os dois quadros abaixo elaborados por UNCTAD (2013, tradução nossa) resumem as diferentes formas de atuação internacional das empresas, ou seja, os tipos de relações estabelecidas em suas cadeias de valor, tanto do ponto de vista da empresa que se internacionaliza (quadro "Tipos de governança sob a perspectiva da firma"), quanto dos fornecedores dos mercados locais (quadro "Tipos de governança sob a perspectiva do fornecedor"). No primeiro quadro, apresentam-se também, as características de cada relação, exemplos e o grau de coordenação de cada tipo de arranjo. No segundo quadro, igualmente se mostram as características de cada relação, e também suas implicações mais centrais para o desenvolvimento de CVGs.





                          Diretrizes de Políticas para se Beneficiar das CVGs. Usando uma amostra de 120 países, o relatório da UNCTAD conclui que existe uma relação positiva entre a maior participação nas CVG e taxas mais elevadas de crescimento do PIB per capita. O gráfico abaixo evidencia que os países com maior taxa de crescimento do PIB per capita são aqueles que apresentam maior participação nas CVGs e expansão mais forte da parcela dos importados nas exportações em termos de valor adicionado. Isso significa que as exportações para as cadeias produtivas internacionais têm positivamente afetado a renda.

                          Portanto, se conduzida estrategicamente, a maior participação nas CVGs têm potencial para elevar a capacidade técnica produtiva e sofisticar a matriz industrial. Por outro lado, se um país se engajar nas CVGs apenas por meio de atividades que adicionam pouco valor, é provável que nada contribua para o desenvolvimento econômico, ou até mesmo o prejudique, considerando seus impactos negativos em termos de dependência tecnológica, heterogeneidade estrutural, vulnerabilidade externa, consequências ambientais e sociais (condições de trabalho, seguridade, poluição/ devastação/ esgotamento de recursos etc.).



                          Neste sentido, as políticas econômicas e industriais a respeito das CVG são fundamentais. Pensando em contribuir para seu desenho, UNCTAD(2013) propõe um esquema analítico com cinco objetivos e ações principais, a saber:

                          a) Incorporar as CVG nas estratégias de desenvolvimento do pais:

                          -  incorporar CVG nas políticas industriais;
                           
                          -   estabelecer objetivos para as políticas em termos de atividades das cadeias produtivas.

                          b) Possibilitar a participação nas CVG:

                          - criação do ambiente de investimento e comércio;
                           
                          - por em marcha os pré-requisitos de infraestrutura necessários.

                          c) Capacitar as firmas locais para produção junto às CVGs;

                          - apoiar o desenvolvimento de empreendimentos e melhorar o poder de barganha das firmas locais;

                          - fortalecer habilidades da força-de-trabalho.

                          d) Estabelecer uma significativa estrutura institucional sobre meio-ambiente, pessoas e governança;

                          - minimizar riscos associados à participação nas CVG através de regulação adequada;

                          - contribuir para que firmas locais alcancem padrões internacionais desejáveis.

                          e) Identificar sinergias entre as políticas de investimento e de comércio internacionais e as instituições relacionadas.

                          - assegurar coerência entre políticas de investimento e comércio;

                          - buscar sinergia na promoção e funcionamento dos fluxos de comércio e investimento;

                          - fortalecer clusters de desenvolvimento industrial regional.

                          O ideal seria que os governos almejassem que suas empresas participassem das CVGs seletivamente, de acordo com os objetivos de desenvolvimento. Logo, é necessário considerar que o impacto potencial da CVG em termos de desenvolvimento econômico depende do tipo de cadeia de valor e da estrutura de produção e institucional do país. Ou seja, há aspectos internos e externos influenciando no processo.

                          Do ponto de vista externo, já vimos o que guia as decisões das empresas, especialmente transnacionais, de internalizar ou não os estágios da produção e de estabelecer ou não contratos com firmas de outro país. Do ponto de vista interno, os determinantes econômicos e de política para a alocação de atividades e tarefas das firmas, especialmente transnacionais em uma país - conforme o segmento ou estágio da CVG - estão resumidos no quadro síntese abaixo.



                          Descompasso entre IED e CVG no Brasil - A Necessidade de Sofisticação. Em 2012 o Brasil alcançou a posição de sexta maior economia do mundo. Após ter aumentado em 2010 e 2011, no último ano a entrada de IED no Brasil registrou uma queda de 2%, atingindo US$ 63 bilhões (UNCTAD, 2013). Mesmo assim subiu um lugar no ranking mundial e ficou em quarto dentre todos os países do mundo. Contudo, esse IED que ingressa parece estar muito mais interessado no dinamismo do mercado doméstico do que nas cadeias de valor globais.

                          Deste modo, no Brasil acontece o oposto do que se observa no cenário internacional: países em que o IED tem maior peso em relação ao PIB apresentam maior integração às CVG e possuem maior percentual de valor adicionado importado nas suas exportações. Do lado do investimento, vale notar que a entrada de IED no Brasil em relação ao PIB, de cerca de 3% em 2012, é superior à média mundial e à média dos países em desenvolvimento da Ásia, por exemplo. Em relação à formação bruta de capital fixo e ao volume de comércio os índices do Brasil também são superiores ao mundial.



                          A participação do Brasil nas exportações mundiais é bem discrepante em relação ao tamanho de sua economia: 22o em 2011 (dados FMI). E está na rabeira do ranking das exportações em termos de participação nas cadeias produtivas globais.

                          E ainda, a participação do Brasil nas CVGs além de fraca apresenta baixo nível de sofisticação tecnológica. Em 2010, 60% das exportações brasileiras em termos de valor adicionado eram de recursos naturais, 5% de manufaturas de baixo conteúdo tecnológico, 15% de manufaturas de média tecnologia, 5% de manufaturas sofisticadas e 10% de serviços mais intensivos em conhecimento. Outras economias grandes apresentaram perfil parecido com o brasileiro, como a Rússia e África do Sul. Destacam-se como exportadores de produtos mais sofisticados e serviços intensivos em conhecimento a Malásia, Singapura, Costa Rica e China.





                          Cabe ressaltar que a sofisticação é um passo além da criação de valor adicionado, que pode ser resultado de melhorias de produtividade ou a expansão de atividades e tarefas relacionadas - como a evolução de uma especialização primária para indústrias de processamento dos produtos primários; ou ainda pode resultar de saltos tecnológicos para atividade sem conexão com as demais. Entretanto, nem todos os países tem condições de aumentar seu engajamento em CVGs através de uma abordagem que permita sofisticação da produção doméstica. Um exemplo positivo é a Malásia, que segue uma estratégia de fortalecimento de vantagens locais para a sofisticação, sob coordenação da Autoridade de Investimento da Malásia (MIDA) (UNCTAD, 2013). Neste sentido, o quadro abaixo aponta os diferentes fatores que atuam na sofisticação da cadeia produtiva nacional, tanto do lado da firma multinacional e da estrutura das CVGs, quanto do lado do país e de suas firmas fornecedoras.

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                          Publicado em: 30/04/2026

                          A guerra no Irã é mais um teste à resiliência da economia global, ainda que, segundo o FMI, seu impacto adverso tenda a ser parcialmente mitigado pela acomodação do ímpeto protecionista dos EUA, após decisão da Suprema Corte.

                          Carta IEDI
                          Carta IEDI n. 1358 - 15º Plano Quinquenal da China: aposta redobrada na indústria e tecnologia
                          Publicado em: 24/04/2026

                          O 15º Plano Quinquenal da China coloca a modernização industrial, inovação e autossuficiência tecnológica como espinha dorsal de seu desenvolvimento com implicações para o Brasil e o mundo.

                          Carta IEDI
                          Carta IEDI n. 1357 - A indústria brasileira na entrada de 2026
                          Publicado em: 17/04/2026

                          Embora tenha aumentado produção nos dois primeiros meses de 2026, a indústria do país se encontra em um quadro mais fraco do que de um ano atrás.

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                          Carta IEDI n. 1356 - A performance da indústria global em 2025 e o declínio do Brasil no ranking da produção
                          Publicado em: 14/04/2026

                          Com a desaceleração da indústria brasileira provocada pela alta dos juros e relativa resiliência do setor no mundo, recuamos consideravelmente no ranking global das indústrias mais dinâmicas em 2025.

                          Carta IEDI
                          Carta IEDI n. 1355 - Sinal de inflexão do emprego industrial
                          Publicado em: 10/04/2026

                          Em 2025, a trajetória do emprego industrial se saiu melhor do que no restante do setor privado, ao menos até o último trimestre, quando deu sinal de inflexão.

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                          Carta IEDI n. 1354 - A balança comercial em 2025, o tarifaço dos EUA e perspectivas do Acordo Mercosul-UE
                          Publicado em: 30/03/2026

                          Em 2025, dois temas marcaram o comércio exterior brasileiro: a imposição de tarifas pelos EUA, que não impediu que aumentássemos exportações, e a assinatura do acordo Mercosul-UE, um importante avanço que reforça a necessidade da agenda de competitividade para o Brasil.

                          Carta IEDI
                          Carta IEDI n. 1353 - Redução de jornada de trabalho: entre anseios e possibilidade
                          Publicado em: 27/03/2026

                          Descuido do Brasil na criação de condições para uma trajetória superior da produtividade impõe ônus para atender os anseios populares de redução da jornada de trabalho.

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