Carta IEDI
A performance da indústria global em 2025 e o declínio do Brasil no ranking da produção
A UNIDO (United Nations Industrial Development Organization) divulgou recentemente a performance da indústria mundial em 2025. Os novos dados, que incorporam o 4º trim/25, indicam certa acomodação no ritmo de crescimento, mas sem grandes rupturas com o padrão de contínua expansão que vem registrando desde meados de 2022 com apoio em atividades de maior intensidade tecnológica (+5,8% em 2025).
No último quarto do ano, já descontando eventuais efeitos sazonais, a produção manufatureira mundial aumentou +0,5% em relação ao trimestre anterior, inferior, portanto, ao resultado de +0,8% do 3º trim/25 e de +1,2% e +1,1% nos primeiros trimestres do ano.
Na comparação com o final de 2024, o desempenho permaneceu robusto, ainda que a tendência de progressiva aceleração tenha se interrompido. O 4º trim/25, ao registrar +3,7% nesta comparação, foi o mais fraco do ano passado, notadamente em relação ao 3º trim/25 (+4,1%), mas manteve-se em linha com o ritmo da primeira metade do ano (+3,8% em jan-mar/25 e +3,9% em abr-jun/25).
De acordo com a análise da UNIDO, o aumento dos riscos econômicos, incluindo a intensificação de conflitos regionais e da instabilidade política, gargalos nas cadeias de suprimentos, escalada tarifária e pressões inflacionárias, impuseram desafios ao longo do ano de 2025. Entretanto, a economia global continuou a demonstrar resiliência, sustentando um padrão de crescimento trimestral positivo da indústria desde meados de 2022.
De todo modo, a produção da indústria de transformação mundial, que havia crescido, com ajuste sazonal, +2,1% em 2024, atingiu alta de +3,9% em 2025 como um todo. Esta evolução contrasta com a da indústria brasileira, que, como discutimos em diversas oportunidades a exemplo da Carta IEDI n. 1348 “A desaceleração industrial de 2025”, saiu de +3,2% para +0,1% nesta mesma base de comparação.
A região Ásia e Pacífico manteve-se como principal vetor de crescimento, registrando +5,7% em 2025 como um todo, com bastante resiliência se considerarmos que no 4º trim/25 cresceu +5,2%, sempre em relação ao mesmo período do ano anterior e com ajuste sazonal.
A indústria da China cresceu à frente do total mundial, como tem sido a regra, mas apresentou desaceleração mais nítida no final do ano. Apresentou alta de +6,6% em 2025 e de +5,9% no último trimestre do ano. Tomando a Ásia e Pacífico sem China, o desempenho anual foi de +4,3% e no último trimestre do ano de +4,1% na comparação com o 4º trim/24.
Na Europa, a produção da indústria de transformação contou com bases de comparação mais baixas no final do ano e registrou +1,9% no 4º trim/25 ante o 4º trim/24, superior portanto ao desempenho acumulado no ano, de +1,7%. O mesmo ocorreu na América do Norte, cujos resultados foram +1,5% e +0,8%, respectivamente.
África e sobretudo América Latina e Caribe foram as regiões onde a indústria mais perdeu tração. No caso africano, o resultado de +3,8% em jan-dez/25 esconde um dinamismo mais baixo no último trimestre, de +2,9%.
No caso latino-americano esta involução é ainda mais marcante, passando a apresentar contração de -0,6% na produção manufatureira do último trimestre do ano, além de uma expansão bastante restringida em 2025 como um todo: apenas +0,9%.
Vale notar que esta região foi a única a apresentar sinal negativo tanto na comparação interanual como no contraste mais de curto prazo, com o trimestre imediatamente anterior. Indica que nem as bases de comparação estão mais ajudando o desempenho de sua indústria.
A trajetória industrial do Brasil concorreu para esta perda de dinamismo latino-americano, mas não foi a única. Frente ao 4º trim/24, a produção da indústria de transformação do Brasil encolheu -1,8%, a do México -0,7% e a da Argentina expressivos -5,1%.
No caso brasileiro, seu retrocesso fez com que caísse no ranking global das indústrias mais dinâmicas em 2025 que o IEDI constrói a partir da base de dados da UNIDO.
De um total de 83 países com dados disponíveis, o Brasil ficou na 72ª colocação no 4º trim/25, tomando como parâmetro o resultado frente ao mesmo período do ano anterior, com ajuste sazonal. Isso significou um recuo de 3 posições em comparação com o 3º trim/25 e 44 posições em relação ao 4º trim/24.
Com esta involução, a indústria de transformação no Brasil se posicionou abaixo de quase todos os importantes parques industriais destacados pelo IEDI, mas superou o resultado da Argentina, que amargou uma forte contração no 4º trim/25 (-5,1%), ficando na 82ª posição do ranking, e do caso do Canadá (-3,6%), em 78º lugar, prejudicado pela política protecionista dos EUA.
No ranking do acumulado de 2025, o Brasil ficou na 64ª colocação entre os 83 países considerados, isto é, 40 posições abaixo do posto que ocupamos no ranking em 2024. Além disso, 2025 foi nossa pior posição desde 2022, quando ficamos na 71ª posição.
A indústria de transformação mundial no 4º trim/2025
O relatório mais recente divulgado pela UNIDO (United Nations Industrial Development Organization) contendo os dados do 4° trim/25 indica que teve continuidade a tendência de acomodação do ritmo de crescimento da indústria de transformação global no final do ano passado.
No último trimestre de 2025, a indústria mundial cresceu +0,5% em relação ao trimestre anterior na série com ajuste sazonal. Foi o resultado mais fraco do ano, após aumentos de +1,2% no 1º trim/25, +1,1% no 2º trim/25 e de +0,8% no 3º trim/25, sempre em comparação com o período imediatamente anterior e com ajuste sazonal.
Na comparação interanual (trimestre frente ao mesmo trimestre do ano anterior), por sua vez, o avanço da produção industrial permaneceu robusto, com variação positiva de +3,7% no 4º trim/25. Mas apesar disso, trouxe uma inflexão na trajetória de ganho de velocidade que vigorou entre o 2º trim/24 e o 3º trim/25.
De acordo com a análise da UNIDO, o aumento dos riscos econômicos, incluindo a intensificação de conflitos regionais e da instabilidade política, gargalos nas cadeias de suprimentos, escalada tarifária e pressões inflacionárias, impuseram desafios ao longo do ano de 2025. Enfatiza ainda que a escassez de mão de obra em setores-chave e a ocorrência de eventos climáticos extremos, cujo equacionamento exigirá esforços internacionais coordenados.
Apesar disso tudo, a economia global continuou a demonstrar resiliência, sustentando um padrão consistente de crescimento trimestral positivo da indústria desde meados de 2022. Vale lembrar que na atualização do cenário do FMI neste início de ano a estimativa de crescimento do PIB global manteve o resultado de 2024 e o comércio mundial até chegou a ganhou vigor (de +3,6% em 2024 para +4,1% em 2025).
Desempenho regional
A atividade manufatureira global registrou desempenho diverso na comparação trimestral (trimestre/trimestre anterior) entre as regiões no 4º trim/25, com resultados inferiores ao trimestre anterior em quase todas. Os piores resultados nesta comparação ficaram a cargo da América do Norte e da América Latina e Caribe, ambas no negativo, e da Europa, mais uma vez virtualmente estagnada.
A região da Ásia e Pacífico (excluindo a China) apresentou a maior variação trimestre/trimestre anterior dentre as regiões (+0,5%), refletindo o desempenho dos principais produtores: Japão (+0,5%), Índia (+1,6%), Indonésia (+0,9%) e Taiwan (+3,3%), enquanto Malásia (-0,1%) e Coreia do Sul (-3,4%) estiveram entre as poucas economias que experimentaram quedas na produção manufatureira.
Se tomarmos a Ásia e Pacífico incluindo a China, o resultado foi bem mais robusto (+1,0%), mantendo-se relativamente estável em relação ao trimestre anterior +1,1%), devido ao crescimento da indústria chinesa, que manteve sua sequência de crescimento trimestral acima de 1% no 4º trim/25 (+1,2%), uma tendência iniciada em meados de 2023.
Na comparação com o mesmo trimestre de 2024, a indústria da região da Ásia e Pacífico (incl. China) manteve-se na liderança, ao expandir +5,2%. Quando excluímos a China desse grupo de países, a variação foi de +4,1%, e sozinha, a indústria chinesa cresceu +5,9%. Nesta comparação mais de curto prazo, a alta refletiu o desempenho de Taiwan (+20,3%), Índia (+6,2%), Indonésia (+3,9%), Japão (+0,7%) e Malásia (+6,0%), enquanto a Coreia do Sul (-2,0%) e Tailândia (-0,2%) assinalaram recuos.
Dados limitados da África indicam uma expansão notável na produção industrial no 4º trim/25 frente ao trimestre anterior, e a segunda maior dentre as regiões (+0,4%). Embora o desempenho em nível nacional tenha variado consideravelmente, a tendência geral no continente permaneceu positiva.
A produção industrial aumentou acentuadamente em comparação ao trimestre anterior na Costa do Marfim (+1,0%), Marrocos (+1,2%), Nigéria (+0,7%) e Senegal (+1,5%). Em contraste, a atividade manufatureira caiu ou permaneceu estagnada no Egito (-0,1%), na Mauritânia (-0,6%) e na África do Sul (-0,5%).
Na comparação com o mesmo trimestre de 2024, as economias do continente africano cresceram +2,9%, variação inferior aos dados do trimestre anterior (+3,7%), com variação positiva no Egito (+9,5%), Nigéria (+0,9%), Ruanda (+4,2%) e Senegal (+8,3%), enquanto África do Sul (-1,0%) assinalou recuo nesta comparação.
A produção da indústria da Europa ficou praticamente estagnada pelo terceiro trimestre consecutivo na comparação mais de curto prazo: +0,1% no 4º trim/25 e no 3º trim/25 e +0,2% no 2º trim/25. Ou seja, crescimento mesmo só na entrada do ano: +1,4% em jan-mar/25, já descontados os efeitos sazonais e frente ao período imediatamente anterior.
Enquanto Alemanha (+1,4%), Espanha (+0,4%) e Reino Unido (+0,9%) registraram ganhos de produção, França (0,0%), Irlanda (-1,8%), Itália (-0,2%) e Suíça (-2,7%) registraram quedas de magnitudes variadas ou mantiveram-se estagnados.
Na comparação entre o 4º trim/25 e o 4º trim/24, as bases de comparação ainda ajudam. A manufatura europeia cresceu +1,9%, com avanços mais significativos na Irlanda (+7,0%), Rússia (+4,1%) e França (+2,2%). Itália (+1,1%), Alemanha (+1,0%), Reino Unido (+0,2%) e Espanha (+1,5%) também assinalaram avanço, porém, abaixo da média da região.
O setor manufatureiro da América Latina e do Caribe, por sua vez, voltou a registrar contração de sua produção. Desta vez, a queda foi de -0,3% no 4º trim/25, após recuo de -0,6% no 3º trim/25, sempre na comparação com o trimestre anterior e com ajuste sazonal.
Os dois maiores fabricantes da região apresentaram resultados contrastantes: enquanto a produção no México cresceu +0,3%, a do Brasil registrou queda de -1,0% em comparação com o trimestre anterior. Além disso, Argentina (-1,3%), Chile (-2,2%), Colômbia (-1,6%) sofreram contrações significativas na produção, enquanto Peru (+0,9%) e Uruguai (+0,7%) apresentaram ganhos trimestrais.
Frente ao mesmo trimestre de 2024, a indústria latino-americana recuou -0,6%, após ficar estagnada no trimestre anterior. Foi a única região com sinal negativo em ambas as comparações, o que indica que nem as bases de comparação de um ano atrás estão ajudando.
Os resultados dos maiores produtores industriais da região puxaram o resultado para baixo: Brasil obteve recuo de -1,8%, Argentina decresceu -5,1%, e o México recuou -0,7%.
Por sua vez, o setor manufatureiro da América do Norte registrou a maior queda dentre as regiões na comparação com trimestre anterior: -0,6% no 4º trim/25, impulsionado tanto pelos Estados Unidos, que registraram recuo de -0,6%, como pelo Canadá, que experimentou contração mais acentuada de -1,5%.
No trimestre out-dez/25 frente ao mesmo trimestre do ano anterior, a produção industrial na América do Norte avançou +1,5%, mesma variação do 3º trim/25, graças ao desempenho da produção dos Estados Unidos (+1,8%), visto que a indústria canadense variou negativamente -3,7% na mesma comparação.
Em termos anuais, em 2025, o crescimento da indústria de transformação situou-se em +4,0% em todos os grupos de países ou em +3,9% se considerarmos o ajuste sazonal, aplicado a todas as variações trimestrais pela UNIDO. As economias em industrialização, que representam a maioria das economias, superaram ligeiramente as economias industrializadas em crescimento anual.
O melhor resultado de 2025 foi registrado pela China, com crescimento de +6,8% em relação a 2024 (+6,6% com ajuste sazonal), dando continuidade a uma tendência gradual de alta desde 2022.
Dados limitados da África apontam para outro desempenho forte, com crescimento de +4,2% (+3,8% com ajuste sazonal), seguida pela Ásia e Pacífico (excluindo a China), com alta de +4,1% (+4,3% com ajuste sazonal).
Outras regiões registraram resultados moderados em 2025, prolongando as trajetórias lentas observadas desde 2022: a Europa cresceu +1,5% (+1,7% com ajuste sazonal), enquanto a América do Norte e a América Latina e o Caribe registraram crescimento anual de apenas +0,8% e +0,7%, respectivamente (+0,8% e +0,9%, com ajuste sazonal).
O desempenho das economias industrializadas
As economias industrializadas representam cerca de 87,7% do valor agregado na indústria mundial de acordo com a UNIDO e inclui países de todas as regiões (como Argentina, Austrália, Áustria, Bélgica, Brasil, Canada, China, Taiwan, Colômbia, Egito, El Salvador, Estônia, Finlândia, França, Alemanha, Hungria, Indonésia, Irlanda, Israel, Itália, Japão, Malásia, México, Holanda, Nova Zelândia, Peru, Filipinas, Coreia, Polônia, Romênia, Rússia, Singapura, África do Sul, Espanha, Suécia, Suíça, Tailândia, Turquia, Reino Unido, EUA, Uruguai, entre outros).
O setor manufatureiro das economias industrializadas manteve crescimento trimestral sólido no 4º trim/25, embora gradualmente mais lento, com aumento de +0,5% na comparação com trimestre anterior, com ajuste sazonal, após ganhos de +1,3%, +1,1% e +0,7% no primeiro, segundo e terceiro trimestres de 2025, respectivamente.
República Tcheca (+2,6%), Israel (+2,9%), Singapura (+5,9%) e Taiwan (+3,3%), por exemplo, registraram aumentos superiores a +2,0% em comparação com o 3º trim/25, enquanto a produção manufatureira no Chile (-2,2%), Coreia do Sul (-3,4%) e Sérvia (-5,7%) apresentou quedas expressivas.
Ainda na comparação com o trimestre anterior, dados desagregados revelam o desempenho volátil das economias industriais de alta renda nos últimos trimestres, com a produção recuando -0,1% no 4º trim/25, após um ganho de +0,5% no trimestre anterior.
O desempenho dentro deste grupo variou consideravelmente, com importante crescimento para Alemanha, Rússia e Reino Unido, enquanto Bélgica, Canadá, Irlanda e Suíça apresentaram contrações significativas da produção.
Em contraste, a China, classificada como uma economia industrial de renda média, registrou novamente forte crescimento, com a produção aumentando +1,2% no 4º trim/25. Dada a participação substancial da China na produção total dentro deste grupo, ela é apresentada separadamente para maior clareza analítica.
Excluindo a China, a produção das economias industriais de renda média cresceu apenas +0,1% neste trimestre, após decréscimo de -0,7% no trimestre anterior. O desempenho neste grupo foi diverso: Tailândia (+0,8%), Turquia (+0,4%) e Vietnã (+1,3%) registraram ganhos sólidos, enquanto Bielorrússia (-2,7%), Brasil (-1,0%) e África do Sul (-0,5%) apresentaram quedas consideráveis na produção.
De acordo com a UNIDO, desde 2015, todos os grupos apresentaram crescimento constante, com exceção da contração relacionada à pandemia em 2020. A China tem consistentemente superado outros grupos industriais, apesar de uma desaceleração temporária no início de 2022. Em contraste, as economias industriais de alta renda registraram apenas um crescimento limitado na última década.
Desempenho das economias em industrialização
Apesar de incluir quase 70% dos países, esse grupo de economias em industrialização representa uma parcela de 12,3% da produção industrial global em 2025.
Apesar da sua diversidade, os países deste grupo, em todos os níveis de renda, poderiam se beneficiar substancialmente do fortalecimento de seus setores manufatureiros e da transição para uma estrutura econômica impulsionada por uma indústria de alta produtividade.
Nos últimos anos, o desempenho industrial do grupo tem melhorado gradualmente, alcançando um crescimento da produção trimestral de +0,8% no 4º trim/25 frente ao trimestre anterior e com ajuste sazonal.
A produção nas economias em industrialização de alta e média renda aumentou no trimestre atual em +0,7% e +0,8%, respectivamente, embora os dois grupos tenham seguido trajetórias marcadamente diferentes desde o início de 2024.
Entre as economias em industrialização de renda média, o maior subgrupo da UNIDO em número de países, Angola (+35,4 %) e Armênia (+10,5%) registraram aumentos trimestrais significativos, enquanto Argentina (-1,3%), Bangladesh (-0,8%), Colômbia (-1,6%) e Jordânia (-0,2%) experimentaram quedas da produção.
O número de economias de baixa renda que reportam consistentemente dados sobre a produção manufatureira diminuiu nos últimos períodos. Devido à cobertura inadequada dos dados, esse grupo foi excluído da análise. No entanto, os dados disponíveis de países individuais, como Ruanda (+1,4%) e Togo (+6,9%), indicam aumentos moderados na produção no 4º trim25.
Desempenho das Economias Emergentes
O grupo especial de economias industriais emergentes, de acordo com a definição da UNIDO, inclui 10 países de baixa e média renda e são caracterizadas por períodos sustentados de crescimento manufatureiro substancial. O grupo também inclui economias em estágios anteriores de desenvolvimento industrial, mas onde o setor apresenta igualmente forte crescimento.
A produção da indústria de transformação desse grupo tem apresentado desempenho sólido, superando de forma significativa a média mundial (+0,5%), bem como as médias das economias industrializadas (+0,5%) e em industrialização (+0,8%). Desde meados de 2023, as taxas de crescimento trimestrais têm consistentemente ultrapassado 1%, incluindo aumento de +1,2% no período out-dez/25.
Em termos individuais, maioria das economias com dados disponíveis registrou crescimento de moderado a forte no 4º trim/25. A Índia liderou o grupo com crescimento frente ao trimestre anterior de +1,6%, seguida por China, Indonésia e Vietnã (+1,3%), que registraram ganhos em torno de +1%. Em contraste, Bangladesh registrou crescimento negativo, marcando sua primeira queda de produção desde o final de 2023.
Análise setorial
De acordo com a UNIDO, os dados do 4° trim/25 indicam que as indústrias de conteúdo tecnológico mais elevado continuam demonstrando forte dinamismo em meio a muitos desafios.
Desde meados de 2024, as indústrias de média-alta e alta tecnologia (MHT) têm sustentado crescimento trimestral superiores às demais categorias, culminando em aumento de +1,0% por cento no 4º trim/25. Em contraste, os setores de menor tecnologia ficaram para trás, com a produção variando apenas +0,2% e permanecendo virtualmente estagnada desde o início de 2021.
Todos os setores de maior tecnologia, exceto o farmacêutico (-0,8%), registraram aumento da produção no último trimestre de 2025, embora em ritmos distintos. Outros equipamentos de transporte (+2,7%), máquinas e equipamentos (+1,5%); e computadores e eletrônicos (+1,5%) registraram crescimento os avanços mais importantes.
Em contraste, as indústrias de menor tecnologia mostraram resultados mistos, com aproximadamente metade apresentando quedas de magnitudes variadas.
Cabe destacar que o setor de outros equipamentos de transporte (+12,8%), juntamente com computadores e eletrônicos (+10,2%), cresceram mais de +10% em comparação com o 4º trim/24. Ao longo do último ano, ambas as indústrias mantiveram trajetória ascendente constante, apoiada por crescimento trimestral sólido.
A produção farmacêutica ocupou a terceira posição em desempenho frente ao 4º trim/24 (+4,5%), entretanto, vem seguindo trajetória volátil nos últimos anos na comparação com trimestre anterior.
Na análise desagregada dos setores por grupo de países, tanto os países industrializados como em industrialização tiveram quase todos os setores de alta tecnologia alcançando crescimento. Os setores farmacêutico e de equipamentos elétricos foram exceções relevantes: no primeiro, as economias em industrialização superaram as economias industrializadas, enquanto no segundo ocorreu o inverso.
Em termos gerais, as economias em industrialização superaram as economias industrializadas e registraram menor número de setores com queda de produção.
Em termos anuais, em 2025, as indústrias de maior tecnologia continuaram a superar suas contrapartes de menor tecnologia, crescendo +5,8% e +1,0%, respectivamente, em comparação com 2024. Computadores e eletrônicos novamente lideraram pelo segundo ano consecutivo, seguido por outros equipamentos de transporte, abrangendo navios, aeronaves, espaçonaves e veículos militares, refletindo em parte os esforços contínuos de modernização da defesa em muitas economias.
Muitas das indústrias de menor tecnologia, por sua vez, apresentaram desempenho negativo em 2025. Dentro desse grupo, metais básicos e fabricados e produtos alimentícios foram as únicas indústrias a figurar entre as 10 primeiras em termos de taxas anuais de crescimento.
Ranking Indústria de Transformação Mundial
A partir da base de dados da UNIDO, o IEDI elaborou rankings internacionais de crescimento da produção da indústria de transformação com 83 países para o 4º trim/25, bem como para o acumulado de 2025 como um todo.
Cabe observar que as séries empregadas pela UNIDO possuem ajuste sazonal, embora usualmente o IBGE use dados sem ajuste nas comparações frente ao mesmo período do ano anterior. Por esta razão, pode haver pequena alteração em relação aos resultados divulgados pelo IBGE.
No 4º trim/25, o desempenho divulgado pela UNIDO com ajuste sazonal para a indústria de transformação do Brasil aponta para uma queda de -1,0% frente ao 3º trim/25. Nesta comparação, a indústria brasileira ficou bem abaixo do resultado para o agregado do setor no mundo (+0,5%).
Em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, ainda com ajuste sazonal, o setor manufatureiro brasileiro apresentou recuo de -1,8% no 4° trim/25, enquanto a indústria global cresceu +3,7%.
Dentre os 83 países da amostra de dados disponíveis da UNIDO, considerado apenas o desempenho do 4º trim/25 frente o 4º trim/24 na série com ajuste, o Brasil apresentou significativa piora em relação à posição do trimestre anterior: aparecemos na 72ª colocação, após termos ficado na 69ª posição no 3º trim/25 (-0,6%), 62ª posição no 2º trim/25 (+0,5%) e 42ª posição no 1º trim/25 (+2,4%).
Em contraste com a posição que ocupamos no 4º trim/24 (28ª posição), também houve significativa piora, como mostra a tabela abaixo, dado que o Brasil caiu 44 colocações no ranking.
Com esse resultado, a indústria de transformação no Brasil se posicionou abaixo de quase todos os importantes parques industriais destacados pelo IEDI na tabela a seguir. Vale destacar algumas exceções, como no caso da Argentina, que amargou uma forte contração no 4º trim/25 (-5,1%), ficando na 82ª posição do ranking, e no caso do Canadá (-3,6%), em 78º lugar, prejudicado pela política protecionista dos EUA.
No acumulado de 2025, cujo resultado da indústria de transformação do Brasil foi de +0,1%, considerando os dados com ajuste sazonal, como apontado anteriormente, nossa colocação no ranking foi a 64ª dentre os 83 países com informações disponíveis. Foi nossa pior posição desde 2022, como mostra a tabela abaixo.
A despeito da involução sofrida entre 2024 e 2025, cabe notar que ficamos mais bem posicionados do que alguns países de destaque, a exemplo de Itália (68º), Alemanha (74º), Austrália (78º) e Canadá (79º), entre os desenvolvidos, e México (67º) e África do Sul (75º), entre os países emergentes.
Em contraste, nos mantemos bem atrás de outros parques industriais latino-americanos, como Uruguai (40º), Chile (44º) e Argentina (50º), embora neste último caso tenha ocorrido expressivo declínio no final do ano, como visto anteriormente. Também se saíram melhor grandes potências industriais mundiais, como Japão (54º), EUA (56º), Espanha (57º) e França (58º).
Entre os melhores colocados do ranking, para além de parques muito pequenos e especializados, podemos destacar Taiwan, em 2º lugar, Irlanda, em 3º, Israel em 7º, Singapura em 11º e China em 14º.























