Análise IEDI
Fim de semestre com queda acentuada na indústria
A indústria brasileira encerrou o primeiro semestre registrando seu pior resultado em 2026 até o momento. Na comparação mais de curto prazo, a produção do setor caiu -1,8% em junho, frente ao mês anterior e já corrigidos os efeitos sazonais. Em três dos quatro macrossetores industriais a queda jun/26 também foi a mais intensa do ano.
Além disso, o sinal negativo também foi relativamente difundido, atingindo 64% dos ramos industriais, com perdas significativas em vestuário (-11%), farmoquímica e farmacêutica (-11%), informática e eletrônicos (-8,9%) e outros equipamentos de transporte (-8,6%).
Ao longo desses últimos seis meses, os resultados desfavoráveis têm sido mais frequentes na indústria de transformação, que incluem atividades vulneráveis ao elevado patamar de taxas de juros que marcam a conjuntura atual do país. O ramo extrativo, com base sobretudo na produção de petróleo, influenciada por fatores geopolíticos internacionais, tem evitado recuos mais acentuados do total da indústria.
No 1º semestre de 2026, em contraste com o quadro de um ano atrás, a indústria geral registrou aumento de +1,5% de sua produção física, estimulada pelo avanço de +7,4% do ramo extrativo. A indústria de transformação, por sua vez, ficou virtualmente estagnada ao variar apenas +0,4%, isso após a retração de -1,2% no 2º sem/25, também na comparação interanual.
• Industria geral: +1,2% em jan-jun/25; -0,1% em jul-dez/25 e +1,5% em jan-jun/26
• Bens de capital: +0,5%; -3,8% e -5,4%, respectivamente
• Bens intermediários: +2,1%; +0,9% e +2,2%;
• Bens de consumo duráveis: +8,0%; -2,4% e +1,5%;
• Bens de consumo semi e não duráveis: -2,0%; -1,3% e +1,3%, respectivamente.
De todos os quatro macrossetores industriais, o quadro mais negativo cabe a bens de capital, como mostram as variações acima. No acumulado de jan-jun/26, a queda é de -5,8% ante jan-jun/25, aprofundando as perdas da segunda metade do ano passado (-3,8%).
Agora em jun/26, completaram-se 5 trimestres seguidos que a produção de bens de capital encolheu. Os segmentos de bens de capital para a agricultura (-21,8%) e de uso misto (-19%) se saíram particularmente ruins no 2º trim/26.
Bens de consumo duráveis (+1,4%), devido a automóveis e eletrodomésticos da linha branca, evitaram repetir a queda que marcou o 2º sem/25 (-2,4%). O mesmo ocorreu com o macrossetor de bens de consumo semi e não duráveis (+1,3%), com base na produção de combustíveis (+2,8%) e bebidas (+1,4%), que voltaram ao terreno azul.
Já os intermediários, que reúnem insumos para as demais atividades produtivas, acabaram refletindo estímulos daqueles setores com melhor desempenho no último semestre. Sua alta foi de +2,2% em jan-jun/26, a partir da aceleração de insumos do ramo automobilístico (+3,9%) e derivados de petróleo (+2,4%).




