Análise IEDI
2025: juros em alta, indústria em baixa
O ano de 2025 terminou com a indústria brasileira de volta ao vermelho no último trimestre, freada sobretudo pelos ramos produtores de bens de capital e de consumo duráveis, refletindo claramente o peso da conjuntura de elevadas taxas de juros sobre o setor. Conjuntura esta que adentra 2026 sem nenhuma alteração, dada a manutenção da Selic em 15% ao ano na reunião do COPOM de 28/01/26.
O resultado no acumulado de 2025 foi de apenas +0,6% e contrasta com o ritmo de +3,1% de 2024, quando, pela primeira vez na última década, houve uma alta com certo vigor sem ajuda de uma base de comparação muito deprimida. Embora esta inflexão já seja decepcionante para um setor que está 13% abaixo do nível de produção de 2013 (isto é, antes da crise 2014-2016), não resume todas as más notícias.
Em primeiro lugar, é importante notar que não fosse o ramo extrativo (+4,9%), estimulado pela produção de petróleo, o desempenho teria sido ainda pior. Tomada apenas a indústria de transformação, a produção encolheu -0,2% no acumulado jan-dez/25.
Em segundo lugar, o desempenho total do ano esconde uma trajetória de rápida perda de dinamismo. No 1º trim/25, a produção da indústria geral ainda crescia a um ritmo razoável, de +2%, terminando o ano em -0,5% no último trimestre. Novamente, na indústria de transformação o freio foi mais intenso: de +2,6% para -1,9%, respectivamente.
• Indústria geral: +2,0% no 1º trim/25; +0,6% no 2º trim/25; +0,5% no 3º trim/25 e -0,5% no 4º trim/25;
• Bens de capital: +4,5%; -2,3%; -2,5% e -5,0%, respectivamente;
• Bens intermediários: +1,3%; +2,9%; +2,4% e -0,7%;
• Bens de consumo duráveis: +11,2%; +5,2%; -1,7% e -3,0%;
• Bens de consumo semi e não duráveis: +1,2%; -5,3%; -3,0% e +0,7%, respectivamente.
Ademais, dentre os quatro macrossetores, três perderam produção no último quarto do ano, como mostram as variações interanuais acima.
Destaca-se a inflexão daqueles ramos mais sensíveis às taxas de juros, que reúnem a produção de bens de capital e bens de consumo duráveis. Em seu agregado, a alta de +6,1% no 1º trim/25 deu lugar a uma retração de -3,9% no 4º trim/25.
Em bens de capital concentrou muito disso: sua produção saiu de +4,5% para -5,0% do primeiro ao último trimestre. No total do ano, também ficou no vermelho (-1,5%), depois de uma alta de +9% em 2024.
Bens de capital para transporte (-12,9% no 4º trim/25), devido sobretudo à produção de caminhões e ônibus, estiveram entre as piores performances, seguidos por bens de capital para energia (-5,8%) e de uso misto (-2,6%).
Já o revés em bens de consumo duráveis foi ainda maior. No início de 2025 ainda se expandia a um ritmo de dois dígitos (+11,2% no 1º trim.), mas chegou ao último trimestre com declínio de -3,0%.
A produção de veículos leves assegurou o crescimento da primeira metade do ano, contribuindo para que no acumulado jan-dez/25 o agregado de bens de consumo duráveis não ficasse no vermelho (+2,5% ante +10,7% em 2024), o que não se sustentou posteriormente. No segundo semestre a produção de veículos caiu -1,4%, sendo acompanhada por eletrodomésticos (-5,1%) e móveis (-5,7%).
Em semi e não duráveis, o mercado de trabalho aquecido foi um fator positivo importante, embora não tenha mitigado totalmente outros condicionantes adversos. Ao todo, houve queda de -1,7% em 2025, com certa reação no último trimestre (+0,7%).
Impactos diferidos de fatores climáticos sobre a produtividade canavieira do centro sul, entre outras causas, reduziram a produção de etanol, impactando o ramo de combustíveis (-9% em jan-dez/25). Esta foi a maior contribuição negativa. Têxteis, vestuário e calçados também não se saíram bem.
Neste contexto de desaceleração, bens intermediários, que fornecem insumos para o restante da indústria, deixaram de mostrar resiliência como vinham mostrando em 2025 e registraram -0,7% no último trimestre. Influenciaram esta reversão insumos para construção civil (-4,3%) e para a automobilística (-3,3%), derivados de petróleo (-8,6%) e defensivos agrícolas (-11,4%).
Para 2026, a expectativa de que a taxa Selic siga elevada (+12,25% a.a., segundo o boletim Focus/BC) não traz boas perspectivas. O grau de incerteza em torno das eleições também não deve ajudar. A indústria deve ter mais um ano morno.
Por outro lado, há mitigadores, como os investimentos em infraestrutura já “contratados” nas concessões e o quadro de emprego e renda, além de ações pontuais, a exemplo do programa Move Brasil, para renovação da frota de caminhões.







