Análise IEDI
Sem surpresa
Em nov/25, o desempenho da indústria brasileira divulgado recentemente pelo IBGE não trouxe novidades: o setor manteve um quadro de estagnação, com a maioria de seus ramos acusando declínio de produção. Bem diferente, portanto, da situação de 2024.
Na passagem de out/25 para nov/25, o resultado foi de 0% já descontados os efeitos sazonais. A indústria de transformação, isto é, excluídos os ramos extrativos, conseguiu algum crescimento (+0,2%), mas foi pequeno e não anulou totalmente sua retração anterior (-0,3%).
Das 25 atividades acompanhadas pelo IBGE, 15 perderam produção na comparação com o mês anterior, ou seja, uma fração de 60% do total. Se tomarmos os macrossetores, metade não cresceu e a outra metade não só superou por pouco a estabilidade como ficou aquém do resultado de outubro, como mostram as variações com ajuste a seguir.
• Indústria geral: -0,4% em set/25, +0,1% em out/25 e 0% em nov/25;
• Bens de capital: +0,5%; +0,9% e +0,7%, respectivamente;
• Bens intermediários: -0,4%; -0,8% e -0,6%;
• Bens de consumo duráveis: -1,4%; +2,8% e -2,5%;
• Bens de consumo semi e não duráveis: -0,1%; +0,9% e +0,6%, respectivamente.
Em relação a 2024, por sua vez, a indústria voltou a ficar no vermelho, aprofundando sua queda de -0,5% em out/25 para -1,2% em nov/25 e praticamente nenhum de seus macrossetores cresceu.
O único sinal positivo neste contraste interanual veio de bens de consumo semi e não duráveis, de +0,1%, mas isso após sete meses seguidos de contração. O ramo de alimentos, devido a suco de laranja e carnes, ao crescer +4%, influenciou muito este resultado.
Já os demais caíram. A maior perda coube a bens de consumo duráveis (-6,2%), seguidos por bens de capital (-4,9%), ambos mais prejudicados pelos elevados níveis de taxas de juros praticados no país. Bens intermediários, que é o núcleo duro da indústria, registrou -1,2% em nov/25 ante nov/24.
Com isso, a trajetória trimestral segue sendo de clara desaceleração e o indicativo de out-nov/25 (-0,8%) para o último trimestre do ano é negativo. O contraste com 2024 é flagrante: +3,1% ante mero +0,6% em jan-nov/25.
Levantamento mais granular da indústria feito pelo IEDI, totalizando 90 segmentos, mostra que 2/3 deles registraram em 2025 (jan-nov) um desempenho inferior ao de 2024 e que 47% chegaram a perder produção.







