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                          Análise IEDI

                          PIB
                          Publicado em: 29/05/2026

                          Medidas de estímulo e aceleração do consumo

                          O PIB brasileiro teve forte aceleração na entrada de 2026, após resultados muito modestos na segunda metade do ano passado. Foi alavancado por políticas econômicas anticíclicas, que deram robustez sobretudo ao consumo das famílias e, em menor medida, também para parte do investimento.

                          Na passagem do 4º trim/25 para o 1º trim/26, o PIB do país cresceu +1,1% já descontados os efeitos sazonais, com base na alta de 1% do consumo das famílias, que desde o 3º trim/24 não registrava um avanço tão forte. Vale lembrar ainda que o consumo havia ficado estagnado no 3º trim/25 e variado somente +0,2% no 4º trim/25.

                               •  PIB total: +0,1% no 3º trim/25; +0,3% no 4º trim/25 e +1,1% no 1º trim/26, com ajuste sazonal;

                               •  Consumo das famílias: 0%; +0,2% e +1,0%, respectivamente;

                               •  Consumo do governo: +1,3%; +0,9% e +0,4%;

                               •  Investimento: +0,2%; -3,4% e +3,5%;

                               •  Exportações: +3,8%; +3,7% e -1,7%;

                               •  Importações: -0,1%; -1,1% e +4,4%, respectivamente.

                          Na origem disso podemos citar um conjunto de ações de política econômica, como o crédito consignado ao setor privado, a isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil e redução para quem ganha até R$ 7,3 mil, gratuidade do botijão de gás por meio do Gás do Povo, que triplicou o número de beneficiários em relação ao Auxílio Gás, aumento real do salário-mínimo etc. Isso sobre uma conjuntura de mercado de trabalho bastante aquecido.

                          Ainda pelo lado do consumo, no que diz respeito ao governo, cabe notar a continuidade de sua desaceleração, após ter atingido alta de +1,3% no 3º trim/25, passando para +0,9% no 4º trim/25 e então para +0,4% no 1º trim/26.

                          O componente de demanda que mais cresceu neste início de ano foram os investimentos. Isso seria uma ótima notícia, não fosse o fato de ter sido suficiente apenas para compensar o tombo do trimestre anterior: -3,4% em out-dez/25 e +3,5% em jan-mar/26, com ajuste sazonal. Ademais, resultou em uma taxa de investimento de apenas 16,5%, o menor valor para o mesmo período desde 2020 (16,2%), quando a pandemia atingiu o país.

                          A expansão do investimento também guarda relação com decisões de política econômica, como a liberação de parte do compulsório da poupança para crédito imobiliário, que sucedeu a ampliação do Minha Casa Minha Vida, com a criação de uma nova faixa. Outro fator é a aceleração do investido dos estados desde o final do ano passado.

                          Tanto é que no lado da oferta, a construção cresceu +2,9% na comparação com o 4º trim/25, já descontados os efeitos sazonais, revertendo o sinal negativo do período anterior. Ao lado do ramo extrativo (+3,6%), que deu continuidade à sua fase de expansão, assegurou a alta de 1% da indústria total.

                          A indústria de transformação, por sua vez, capturou pouco do dinamismo da demanda interna e conseguiu apenas evitar o terreno negativo. Registrou somente +0,1%, depois de ter recuado -0,6% no 4º trim/25. A produção industrial de bens de capital tem caído, como mencionamos em muitas das Análises IEDI, em função dos juros reais elevados no país, sinalizando dificuldade de investimentos modernizantes da nossa estrutura produtiva. 

                          É um mau indício para a produtividade, a despeito do crescimento recente da formação bruta de capital fixo, como discutido anteriormente.

                          Os serviços acabaram refletindo melhor o aquecimento da demanda interna. O comércio (+0,6% com ajuste) e os serviços associados a atividades imobiliárias (+1,2%) voltaram a acelerar, enquanto os serviços pessoais (+0,8%) mantiveram ritmo do final do ano passado. Foram as atividades financeiras e transportes que provocaram a relativa desaceleração do setor de serviços como um todo (de +0,7% em out-dez/25 para +0,5% em jan-mar/26).

                          Por fim, a agricultura esteve entre os setores com maior expansão, atrás da indústria extrativa e da construção, registrando +2,0% frente ao trimestre anterior, com ajuste sazonal. Interrompeu, assim, a sequência de três resultados adversos, mas seguiu muito aquém da forte expansão do início de 2025 (+15,8%).

                          Mesmo com o maior dinamismo agrícola e extrativo, o setor externo não contribuiu positivamente para o PIB. Nossas exportações acusaram retração de -1,7% no 1º trim/26 e nossas importações avançaram +4,4%, depois de três trimestres seguidos de queda. Sinal de que parte do vigor adicional da demanda interna está sendo atendida pela produção externa, com ajuda inclusive da apreciação do real.

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                          A indústria voltou a ampliar produção no segundo mês do ano, mas perdeu ímpeto em comparação com jan/26, e caiu na comparação com o ano passado.

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                          No 3º trim/25, teve continuidade a desaceleração do PIB brasileiro, com o consumo das famílias ficando praticamente estagnado, assim como o setor de serviços.

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                          Na conjuntura atual de elevadas taxas de juros, os avanços industriais tendem a ser pontuais, como indica o resultado de set/25, que anulou maior parte da expansão de ago/25.

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                          Em ago/25, a produção industrial voltou a crescer, mas este resultado pode vir a ser pontual, como foi o de mar/25; por isso deve ser visto com cautela.

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                          Para a indústria, o segundo semestre de 2025 começou reproduzindo o mesmo padrão de desaceleração que vínhamos verificando desde a virada do ano.

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