Carta IEDI
Produção Industrial em Dezembro de 2008: Queda Histórica
Refletindo os efeitos da recessão nas economias avançadas sobre os fluxos do comércio e sobre as expectativas dos empresários, a produção física da indústria brasileira recuou 12,4% na passagem de novembro a dezembro, descontados os efeitos sazonais. Esse foi o pior resultado dessa série histórica iniciada em 1991, surpreendendo os analistas do mercado financeiro e das consultorias econômicas. A retração foi generalizada, atingindo todas as quatro categorias de uso e 25 das 27 atividades pesquisadas da série com ajuste sazonal, com destaques para veículos automotores (–39,7%) e máquinas e equipamentos (–19,2%).
Na comparação com dezembro de 2007, a produção fabril brasileira retraiu 14,5%, registrando a menor marca de toda série histórica, não obstante a diferença de dois dias úteis a mais em dezembro de 2008 em relação a igual mês de 2007. Essa forte queda foi generalizada, como evidencia o indicador de difusão: 70% dos 755 produtos investigados apresentaram recuo na produção, nível recorde na série histórica desse indicador.
Nas séries trimestrais, a indústria também registrou queda. No último trimestre de 2008, a produção fabril recuou 9,4% na comparação com o período imediatamente anterior e 6,2% em relação ao quarto trimestre de 2007. Com esses resultados negativos no último trimestre, o crescimento acumulado pela indústria em 2008 ficou em 3,1%, bem abaixo do resultado acumulado até setembro (6,4%) e praticamente a metade da expansão registrada em 2007 (6,1%).
No corte por categoria, descontadas as influências sazonais, o maior recuo ocorreu no segmento de bens de consumo duráveis (–34,3%), em razão, segundo o IBGE, de inúmeras paralisações não-planejadas, sobretudo no setor automobilístico. Já o segmento produtor de bens capitais contraiu 22,2% em dezembro frente a novembro, registrando queda recorde nessa base de comparação. O setor de bens intermediários, o de maior peso na estrutura industrial brasileira, registrou em dezembro a quinta retração consecutiva (–12,2%), acumulando perda de 20,6% entre julho e dezembro, enquanto o nível de produção do setor de bens de consumo semiduráveis e não-duráveis encolheu 4,2%.
Todas as quatro categorias de uso registraram variação negativa também na comparação com dezembro de 2007. O setor produtor de duráveis, um dos líderes da expansão da atividade fabril até setembro de 2008, registrou queda recorde de –42,2%, a mais elevada entre as categorias, em razão da forte retração na fabricação de automóveis (–58,9%), celulares (–61,4%) e eletrodomésticos (–17,5%). O setor de bens intermediários registrou recuo de –18,2%, enquanto a produção de máquinas e equipamentos declinou –13,1%. Mais dependente da renda do que do crédito, o setor de bens de consumo semiduráveis e não-duráveis foi a categoria de uso que apresentou o menor recuo na série mensal: –3,4%.
Na avaliação do IEDI, diante da gravidade da crise internacional, seria inevitável um forte revés da indústria brasileira. Um fator peculiar à fase em que se encontrava o crescimento industrial brasileiro pode ser considerado também como um determinante do maior impacto da crise sobre a indústria nacional. Trata-se da acentuada dependência do crescimento industrial brasileiro a apenas dois setores de um total de 27 segmentos classificados pelo IBGE, quais sejam, indústria automobilística e máquinas e equipamentos, que isoladamente eram responsáveis por quase 40% do crescimento industrial de 6,5% acumulado no período janeiro/setembro de 2008. Como a presente crise afetou severamente os setores automobilístico e de bens de capital no Brasil e em todo mundo, era incontornável uma forte retração industrial no país.
A queda da produção industrial foi, no entanto, muito mais ampla em razão das políticas de juros e de crédito. A política monetária deveria ter sido afrouxada tão logo ficou evidente o aprofundamento da crise financeira nas economias avançadas a partir de 15 de setembro e seu transbordamento, pela via do comércio e dos fluxos financeiros, para as economias em desenvolvimento. Mesmo em cenário de redução das pressões inflacionárias em razão da forte queda nos preços internacionais do petróleo e das demais commodities, o Banco Central do Brasil não reagiu à altura da gravidade da crise e manteve inalterada a meta da taxa básica de juros da economia na penúltima reunião do Comitê de Política Monetária, realizado no final de outubro. Na contramão dos principais bancos centrais, que realizaram cortes expressivos de juros, o BCB manteve inalterada a Selic nas últimas reuniões do Copom em 2008 e a reduziu em 1,0 p.p. na primeira reunião de 2009, deixando a taxa básica de juros no ainda elevado patamar de 12,75%.
O Banco Central também tem mostrado pouca ousadia nas suas iniciativas para reativar o mercado de crédito interno, que sofreu uma dramática retração tão logo teve início a crise internacional. A observação que se faz pertinente é que em outros países, que em geral dispõem de instrumentos mais limitados do que o Brasil, medidas muito mais fortes foram acionadas. No caso brasileiro, as ações principais consistiram em medidas pontuais e tímidas na área do crédito setorial, como nos casos do financiamento para exportação e crédito agrícola, e em ampliações significativas na liquidez bancária sob a forma de reduções de recolhimentos compulsórios dos bancos. O montante de recursos liberados alcançou quase R$ 100 bilhões, mas, como não houve qualquer indução para que esta enxurrada de liquidez abastecesse o crédito, não houve recuperação deste e tampouco a maior liquidez serviu para evitar que as taxas de juros dos financiamentos aumentassem vigorosamente.
Já é passado o momento de as políticas de juros e de crédito deixarem de ter a orientação contemplativa que as caracterizaram até o presente para assumirem o foco no objetivo de recuperar o crédito e minimizar o efeito da crise sobre as expectativas dos agentes econômicos. A política econômica deve avaliar ainda a oportunidade de ampliar os investimentos públicos e apoiar com incentivos os investimentos privados e os setores de destacada relevância na geração de emprego, renda e bem estar social, como é o da habitação popular. São medidas para minimizar a recessão industrial e para restringir o impacto da crise da indústria no emprego e em outros segmentos da economia.
A forte desaceleração do ritmo da produção fabril em dezembro se refletiu na utilização média de capacidade instalada da indústria de transformação. O indicador, com ajuste sazonal, calculado pela CNI, mostra que a indústria de transformação registrou o menor nível de utilização de capacidade instalada desde abril de 2006: 80,2% (contra 81,4% registrados em novembro). Também o indicador, sem ajuste sazonal, divulgado pela FGV, registrou expressiva queda, passando de 85,2% em novembro para 80,6% em dezembro. Esse patamar está 5,1 pontos percentuais abaixo do nível observado em dezembro de 2007.
Resultados da Indústria. A produção física da indústria brasileira contraiu 12,4% na passagem de novembro a dezembro, descontados os efeitos sazonais, após recuo 7,2% em novembro e 1,4% em outubro (dados revistos). Surpreendendo os analistas do mercado financeiro e das consultorias econômicas, esse foi o pior resultado dessa série histórica iniciada em 1991 e levou o patamar de produção ao nível observado em março de 2004. A retração foi generalizada, atingindo todas as quatro categorias de uso e 25 das 27 atividades pesquisadas da série com ajuste sazonal. O principal impacto negativo originou-se ma produção de veículos automotores (–11,6%), setor que sofre os efeitos da contração do crédito e da deterioração das expectativas dos consumidores ante ao agravamento da crise financeira mundial, seguido por máquinas e equipamentos (–19,2%).
Na comparação com dezembro de 2007, a produção fabril brasileira retraiu 14,5%, registrando a menor marca de toda série histórica, não obstante a diferença de dois dias úteis a mais em dezembro de 2008 em relação a igual mês de 2007. Essa forte queda foi generalizada, como evidencia o indicador de difusão: 70% dos 755 produtos investigados apresentaram recuo na produção, nível recorde na série histórica desse indicador.
Nas séries trimestrais, a indústria também registrou queda. No último trimestre de 2008, a produção fabril recuou 9,4% na comparação com o período imediatamente anterior e 6,2% em relação ao quarto trimestre de 2007. Com esses resultados negativos no último trimestre, o crescimento acumulado pela indústria em 2008 ficou em 3,1%, bem abaixo do resultado acumulado até setembro (6,4%) e da expansão registrada em 2007 (6,1%).
Na passagem de novembro a dezembro, descontadas as influências sazonais, as demais classes da indústria também registraram forte queda, reflexo do movimento de retração dos setores mais sensíveis à restrição de crédito e a queda das exportações de commodities. A indústria extrativa mineral recuou 11,8%, enquanto o nível da atividade da indústria de transformação caiu 12%.
Em relação a dezembro de 2007, indústria de transformação contraiu 14%, enquanto a indústria extrativa mineral registrou decréscimo de 21,3%. Em 2008, a indústria extrativa acumulou incremento de 3,8%. Já a indústria de transformação acumulou aumento de produção de 3,1% na comparação com igual período do ano anterior.
Na avaliação do IEDI, os resultados da indústria em dezembro refletem o forte efeito da crise mundial sobre a economia brasileira. Diante da gravidade da crise internacional, seria inevitável um forte revés da indústria brasileira. Um fator peculiar à fase em que se encontrava o crescimento industrial brasileiro pode ser considerado também como um determinante do maior impacto da crise sobre a indústria nacional. Trata-se da acentuada dependência do crescimento industrial brasileiro a apenas dois setores de um total de 27 segmentos classificados pelo IBGE, quais sejam, indústria automobilística e máquinas e equipamentos, que isoladamente eram responsáveis por quase 40% do crescimento industrial de 6,5% acumulado no período janeiro/setembro de 2008. Como a presente crise afetou severamente os setores automobilístico e bens de capital no Brasil e em todo mundo, era incontornável uma forte retração industrial no país.
A queda da produção industrial foi, no entanto, muito mais ampla em razão das políticas de juros e de crédito. A política monetária deveria ter sido afrouxada tão logo ficou evidente o aprofundamento da crise financeira nas economias avançadas a partir de 15 de setembro e seu transbordamento, pela via do comércio e dos fluxos financeiros, para as economias em desenvolvimento. Mesmo em cenário de redução das pressões inflacionárias em razão da forte queda nos preços internacionais do petróleo e das demais commodities, o Banco Central do Brasil não reagiu à altura da gravidade da crise e manteve inalterada a meta da taxa básica de juros da economia na penúltima reunião do Comitê de Política Monetária, realizado no final de outubro. Na contramão dos principais bancos centrais, que realizaram cortes expressivos de juros, o BCB manteve inalterada a Selic nas últimas reuniões do Copom em 2008 e a reduziu em 1,0 p.p. na primeira reunião de 2009, deixando a taxa básica de juros no ainda elevado patamar de 12,75%.
O Banco Central também tem mostrado pouca ousadia nas suas iniciativas para reativar o mercado de crédito interno, que sofreu uma dramática retração tão logo teve início a crise internacional. A observação que se faz pertinente é que em outros países, que em geral dispõem de instrumentos mais limitados do que o Brasil, medidas muito mais fortes foram acionadas. No caso brasileiro, as ações principais consistiram em medidas pontuais e tímidas na área do crédito setorial, como nos casos do financiamento para exportação e crédito agrícola, e em ampliações significativas na liquidez bancária sob a forma de reduções de recolhimentos compulsórios dos bancos. O montante de recursos liberados alcançou quase R$ 100 bilhões, mas, como não houve qualquer indução para que esta enxurrada de liquidez abastecesse o crédito, não houve recuperação deste e tampouco a maior liquidez serviu para evitar que as taxas de juros dos financiamentos aumentassem vigorosamente.
Já é passado o momento de as políticas de juros e de crédito deixarem de ter a orientação contemplativa que as caracterizaram até o presente para assumirem o foco no objetivo de recuperar o crédito e minimizar o efeito da crise sobre as expectativas dos agentes econômicos. A política econômica deve avaliar ainda a oportunidade de ampliar os investimentos públicos e apoiar com incentivos os investimentos privados e os setores de destacada relevância na geração de emprego, renda e bem estar social, como é o da habitação popular. São medidas para minimizar a recessão industrial e para restringir o impacto da crise da indústria no emprego e em outros segmentos da economia.




Desempenho por Categoria de Uso. Em dezembro, descontados os efeitos sazonais, todos os quatro segmentos da indústria por categoria de uso registraram queda de produção na comparação com o mês anterior. A queda mais acentuada ocorreu no segmento produtor de bens de consumo duráveis, que registrou variação negativa de 34,3%. Também registrou recuo recorde o setor produtor de bens de capital (–22,2%). Já o segmento de bens intermediários, de maior peso na estrutura industrial brasileira, registrou a quinta queda consecutiva nessa base de comparação, com diminuição do nível de produção em 12,1% na passagem novembro a dezembro, acumulando perda de 20,6% entre julho e dezembro. A menor redução ocorreu no segmento produtor de bens de consumo semiduráveis e não-duráveis, que registrou decréscimo de 4,2%, taxa mais baixa desde fevereiro de 2005 (–4,6%).
Na série mensal (dezembro de 2008 – dezembro de 2007), todas quatro categorias de uso registraram variação negativa. O segmento de bens de consumo duráveis, o mais afetado pela combinação deletéria do aprofundamento da recessão nas economias avançadas e consequentes impactos no comércio mundial e da forte contração do crédito doméstico, registrou queda recorde de –42,2%, impactado pelos itens automóveis (–58,9%), celulares (–61,4%) e eletrodomésticos (–17,5%), que também registraram reduções recordes.
A produção de bens intermediários registrou igualmente a menor marca histórica (–18,2%), puxada pela redução generalizada dos seus subsetores, com as principais pressões negativas vindas dos produtos associados às atividades de metalurgia básica (–24,5%), veículos automotores (–49,4%), indústrias extrativas (–21,4%), outros produtos químicos (–21,5%) e borracha e plástico (–31,9%). Segundo o IBGE, a redução brusca da demanda internacional por commodities, juntamente com a menor demanda por insumos industriais para bens finais, decorrente principalmente da desaceleração dos setores atrelados ao setor automotivo, foi o fator mais relevante na explicação do desempenho da categoria, que registrou queda em 78% dos seus produtos, como revela o indicador de difusão.
O segmento de bens de capital apresentou decréscimo de 13,1% e foi influenciado, sobretudo, pelo desempenho de máquinas e equipamentos para fins industriais (–31,5%) e para uso misto (–35,0%), o qual foi pressionado principalmente por itens das áreas de informática e de telefonia celular. O subsetor de bens de capital para transporte (23,3%) manteve sinal positivo, com a produção de aviões respondendo por quase a totalidade do crescimento, mas não impediu que o recuo observado na categoria interrompesse a sequência de vinte e nove meses de expansão.
Voltada para o mercado interno e mais dependente da renda do que do crédito, a produção de bens de consumo semiduráveis e não-duráveis caiu 1,8%, recuo bem inferior ao da média da indústria. As principais pressões negativas vieram dos grupamentos de semiduráveis (–12,0%), com reduções em itens dos setores têxtil e calçados; e em outros não-duráveis (–3,4%), com quedas em livros e medicamentos. No sentido oposto, contribuiu para atenuar a queda global do setor o crescimento de 10,3% no subsetor de carburantes, influenciado pelo aumento na produção de álcool.
Os indicadores trimestrais mostram significativa queda na produção fabril no quarto trimestre de 2008. Em comparação com igual período de 2007, a produção de bens de consumo duráveis registrou a maior queda (–19,5%), seguida pela de bens intermediários (–9,2%) e de bens de consumo semiduráveis e não-duráveis (–1,2%) – este com resultado negativo, mas ainda acima do índice nacional (–6,2%). Já o setor de bens de capital foi a única categoria que manteve sinal positivo nessa comparação (2,9%), embora com redução de ritmo em relação ao trimestre anterior.
Frente ao trimestre imediatamente anterior, observa-se forte desaceleração para todos os quatro segmentos da indústria por categoria de uso. O maior recuo foi registrado pelo segmento produtor de bens de consumo duráveis (–25,1%), seguido por bens intermediários (–10,6%), bens de capital (–8,4%) e bens de consumo semiduráveis e não-duráveis (–3,3%).
No acumulado em 2008, todos os quatro segmentos da indústria por categoria de uso apresentaram variações positivas, mas em nível menor do que o crescimento verificado em 2007. O principal destaque do ano foi o setor de bens de capital (14,4%), que confirmou a liderança na expansão industrial, seguido por bens de consumo duráveis (3,7%). Abaixo da média global da indústria, bens intermediários e bens de consumo semiduráveis e não-duráveis cresceram, respectivamente, 1,6% e 1,4%, contra igual período do ano anterior.





Por Dentro da Indústria de Transformação: Gêneros e Subsetores. Em dezembro, descontados os efeitos da sazonalidade, a indústria geral e a indústria de transformação registraram queda recorde de, respectivamente 12,4% e 12,0%, frente ao mês de novembro. Esses resultados refletiram a retração generalizada no nível de atividade verificada em 25 das 27 atividades pesquisadas. As duas únicas pressões positivas vieram de celulose e papel (0,4%) e outros equipamentos de transporte (6,7%). Segundo o IBGE, o principal impacto negativo originou-se no setor de veículos automotores (–39,7%) seguido por máquinas e equipamentos (–19,2%), material eletrônico e equipamentos de comunicações (–48,8%), metalurgia básica (–18,3%), borracha e plástico (–20,1%), indústria extrativa mineral (–11,8%) e outros produtos químicos (–9,0%). Esse quadro de queda generalizada foi especialmente marcado pelo movimento de setores mais sensíveis à restrição de crédito e a queda das exportações de commodities.

Na série mensal, a indústria geral registrou retração de 14,5%, enquanto o produto da indústria de transformação contraiu 14,0% na comparação com dezembro de 2007. Em ambos os casos, essa foi a menor marca de toda série histórica, iniciada em 1991. Como destaca o IBGE, esse quadro evidencia o aprofundamento do ritmo de queda e um alargamento do conjunto de segmentos com taxas negativas. Mesmo com a diferença de dois dias úteis a mais em dezembro de 2008 em relação a igual mês de 2007, 70% dos 755 produtos investigados apresentaram recuo na produção, nível recorde na série histórica do indicador de difusão.
Nessa base de comparação, 23 dos 27 ramos pesquisados apresentaram queda. O maior impacto na formação da taxa global originou-se em veículos automotores (–59,1%), setor de forte relação intra-industrial, seguido por material eletrônico e equipamentos de comunicações (–60,3%), outros produtos químicos (–21,8%), metalurgia básica (–24,5%), indústrias extrativas (–21,3%) e borracha e plástico (–31,1%). Dentre os quatros ramos que registraram aumento do nível de produção na comparação com dezembro de 2007, destacam-se a indústria farmacêutica (11,7%) e outros equipamentos de transporte (106,4%), cujo principal item é aeronaves.
A forte retração da atividade industrial evidencia-se na série mais desagregada do IBGE, na qual 56 dos 76 subsetores diminuíram a produção em dezembro na comparação com igual mês do ano anterior. Pela magnitude da taxas, destacam-se: material eletrônico e aparelho de comunicação (–67,9%), automóveis (–56,7%), peças e acessórios para veículos automotores (–56,0%), material elétrico para veículos (–51,0%), artefatos diversos de borracha (–48,5%), extração de minerais ferrosos (–45,4%), ferro-gusa, ferroligas e semi-acabados de aço (–42,8%), fabricação de pneus (–41,3%), peças fundidas de ferro (–40,7%), laminados e trefilados de aço (–34,3%) e caminhões e ônibus (–33,4%). No sentido oposto, dentre os vinte subsetores em expansão, os maiores aumentos de produção foram registrados em construção e montagem de aeronaves (143,9%), álcool (53,8%), tubos de ferro e aço (31,6%) e outros veículos e equipamentos de transporte (31,3%).
No indicador acumulado para o ano de 2008, as indústrias geral e de transformação registraram, ambas, aumento de 3,1%, bem inferior ao verificado em 2007, em razão da forte retração da atividade fabril nos últimos três meses do ano. Para esse resultado contribuiu o aumento da produção em dezessete atividades das vinte e sete atividades pesquisadas, das quais onze cresceram acima da média global. As principais contribuições originaram-se nas indústrias de veículos automotores veículos automotores (8,2%), máquinas e equipamentos (6,0%), outros equipamentos de transporte (42,2%), farmacêutica (12,7%) e minerais não-metálicos (8,3%). Em contraste, as principais pressões negativas foram provenientes das indústrias de madeira (–10,2%), máquinas para escritório e equipamentos de informática (–8,9%), fumo (–7,0%), calçados e artigos de couro (–6,7%) e perfumaria, sabões, detergentes e produtos de limpeza (–4,7%).
Nessa mesma base de comparação, 44 dos 76 subsetores da série mais desagregada do IBGE ampliaram o nível de produção em 2008 em relação ao ano anterior. As maiores taxas de variação foram registradas nos subsetores de construção e montagem de aeronaves (58,2%), construções e montagens de vagões ferroviários (54,7%), tratores e máquinas agrícolas (31,6%), carrocerias e reboques (28,3%), tubos de ferro e aço (22,5%), defensivos agrícolas (18,8%), caminhões e ônibus (19,2%), artefatos de concreto (16,8%), outros equipamentos de transporte (15,5%), cimentos e clínquer (11,5%), automóveis (7,0%). No sentido oposto, dentre os trinta e um subgêneros em queda, os recuos mais expressivos foram registrados em sucos e concentrados de fruta (–16,2%), petroquímicos básicos (–13,0%), adubos e fertilizantes (–12,2%) moagem de trigo (–12,0%), embalagem e artefatos de madeira (–12,2%), produtos de madeira (–10,1%) e eletrodomésticos da “linha marrom” (–8,7%).






Utilização de Capacidade na Indústria de Transformação. A forte desaceleração do ritmo da produção fabril em dezembro se refletiu na utilização média de capacidade instalada da indústria de transformação. O indicador, com ajuste sazonal, calculado pela CNI, mostra que a indústria de transformação registrou o menor nível de utilização de capacidade instalada desde abril de 2006: 80,2% (contra 81,4% registrados em novembro). Esse índice também é bem menor do que o registrado em dezembro de 2007(83,2%).
O indicador, sem ajuste sazonal, divulgado pela FGV, registrou, igualmente, expressiva queda, passando de 85,2% em novembro para 80,6% em dezembro. Esse patamar está 5,1 pontos percentuais abaixo do nível observado em dezembro de 2007.
Todas as categorias de uso registraram queda no grau médio de utilização de capacidade em dezembro. Os maiores recuos foram verificados no setor de bens de consumo (–8,8 p.p) e no setor de material de construção (–7,0 p.p.).
Em relação aos gêneros industriais, houve igualmente recuo generalizado. A maior retração se deu na indústria de material de transporte (–13,0 p.p.), seguida por minerais não-metálicos (–11,6 p.p.) e metalurgia (–10,7 p.p.).



Comparação Internacional: Brasil e Países Selecionados. A comparação do desempenho da indústria brasileira com a indústria dos países membros da OCDE e de economias periféricas com grau semelhante de desenvolvimento é sempre muito ilustrativa, não obstante as diferenças metodológicas e da defasagem na divulgação dos dados.
Na série com ajuste sazonal, a indústria brasileira registrou, em dezembro, queda de 12,4% na comparação com o mês imediatamente anterior. Ao lado do Brasil, a grande maioria (quinze) dos países também apresentou resultados negativos no setor industrial nessa mesma base de comparação. As duas exceções foram as indústrias da Irlanda e da Turquia, que registraram aumento, respectivamente, de 10,2% e 5,2% na passagem de outubro a novembro. Cabe destacar o forte recuo das indústrias da Coréia (–10,7%) e do Japão (–7,6%) em novembro frente ao mês de outubro. Já a indústria dos Estados Unidos, epicentro da crise, registrou queda de apenas 0,6% na passagem de outubro a novembro.
Na comparação do resultado da indústria de transformação brasileira com os de economias periféricas com semelhante grau de desenvolvimento, observa-se que, em dezembro de 2008, a produção manufatureira do Brasil registrou queda recorde de 14,0% em relação a igual mês do ano anterior. Os impactos da crise financeira e da forte recessão nas economias avançadas também se fizeram sentir na Tailândia e na Rússia, cujas indústrias registraram expressiva retração, de respectivamente, 18,8% e 13,2%. Em um cenário de deterioração das condições econômicas e financeiras mundiais, destaca-se o dinamismo das indústrias de transformação da Argentina e da Índia. A indústria argentina elevou o nível de produção em 2,6% na comparação com dezembro de 2007, enquanto a indústria indiana registrou variação de 2,4% em novembro de 2008 com relação a novembro do ano anterior na mesma base de comparação.
<<20090206-20.gif|Fonte: IBGE-PIM (Brasil) e OCDE - Main Economic Indicators, Elaboração Própria.|>>
<<20090206-21.gif|Fonte: IBGE-PIM (Brasil) e OCDE - Main Economic Indicators, Elaboração Própria.|>>

