Carta IEDI
Expansão industrial no Mundo e desaceleração no Brasil
Os últimos dados divulgados pela UNIDO, divulgados na virada do ano, apontam para um novo crescimento da indústria manufatureira mundial no 3º trim/25, a despeito das crescentes tensões comerciais e geopolíticas. Isso, contudo, não sem algum sinal de acomodação, vindo sobretudo da Ásia e da América Latina.
Este indicativo de acomodação se mostra pequeno e restrito à comparação mais de curto prazo, como será visto logo a seguir. E, a contar pela atualização do cenário para a economia global do FMI, divulgado agora em jan/26, não deve ter maiores implicações. O PIB mundial de 2026 foi revisto para cima, devendo repetir o resultado de 2025 (+3%).
Para o FMI, tal resiliência da economia mundial estará apoiada na expansão de investimentos, favorecidos por políticas macroeconômicas acomodatícias, condições financeiras favoráveis e pela atualização tecnológica (digitalização, IA) dos processos produtivos, que a própria UNIDO já vem mencionando como importante fator de crescimento dos ramos industriais de maior intensidade tecnológica, que é quem tem puxado o desempenho industrial do mundo.
No 3º trim/25, os dados da UNIDO mostram que a produção da indústria de transformação global cresceu +0,7% em relação ao trimestre anterior, já descontados os efeitos sazonais, isto é, menos do que no 2º trim/25 (+1%). Esta foi a primeira desaceleração desde o 3º trim/24, mas que pode ser revertida, tal como ocorreu no 4º trim/24. A indústria brasileira, por sua vez, cresceu menos de um terço do total mundial: +0,2% na mesma comparação.
Em contraste com o mesmo período do ano passado, também com correção sazonal, como faz a UNIDO, o desempenho do setor no mundo foi de +3,9%, dando prova de notável resiliência, dado que este resultado vem se mantendo desde o início de 2025. O contraste com o Brasil é nítido, ao passar de +2,4% no 1º trim/25 para -0,6% no 3º trim/25.
Na China, a indústria manufatureira assinalou estabilidade no ritmo de crescimento no 3º trim/25, com variação positiva de +1,3% em relação ao período imediatamente anterior, com ajuste sazonal, após variar +1,4% no 2º trim/25. Frente ao mesmo trimestre de 2024, a manufatura teve alta de +6,6%, abaixo, mas muito pouco, dos +6,8% do trimestre anterior.
O restante da Ásia, a seu turno, apresentou forte desaceleração na passagem entre o 2º e 3º trim/25: depois de variar +1,6% no 2º trim/25, a Ásia e Oceania exceto China registrou +0,7% em jul-set/25 frente ao período anterior. Na comparação com mesmo trimestre de 2024, a região conseguiu manter o ritmo do trimestre anterior (+4,0%).
Os países da América do Norte e Europa seguiram com baixo crescimento. No contraste com o 2º trim/25, assinalaram variação de +0,3% e +0,1%, respectivamente, dando continuidade ao movimento de leve desaceleração. Frente ao 3º trim/24, os resultados foram de +1,1% e +1,8%, ajudados por bases baixas de comparação.
Na América do Norte, os EUA foram os grandes responsáveis pelo resultado do trimestre em questão, com resultados positivos nas duas comparações. Na Europa, as influências positivas mais importantes ficaram a cargo da França (+0,7% ante o 2º trim/25), Itália (+0,4%) e Rússia (+0,4%).
Nas demais regiões, a indústria da África (+1,3% ante o 2º trim/25 e +5,1% ante o 3º trim/24) ganhou dinamismo, enquanto a da América Latina e Caribe foi a única a voltar ao terreno negativo em ambas as comparações: -0,6% ante o trimestre anterior e -0,1% frente ao 3º trim/24.
Na América Latina e Caribe, o decréscimo de -0,6% frente ao 2º trim/25 se deu em função dos resultados da produção do México (-1,4%) e Argentina (-3,2%), mas no contraste interanual pesou também a queda registrada pelo Brasil, como apontamento anteriormente.
Para aprofundar a análise do desempenho industrial brasileiro, o IEDI construiu, a partir da base de dados da UNIDO, um ranking para os resultados da produção industrial de um conjunto de países, destacando a posição do Brasil. A amostra nesta Carta IEDI conta com 80 países, em função da disponibilidade de informações para o 3º trim/25.
Deste conjunto de países, tomada a comparação frente ao mesmo período de 2024, o Brasil ocupou a 65ª colocação no 3º trim/25, devido ao sinal negativo do nosso resultado, como já mencionado.
A desaceleração industrial que temos visto no país, sob o peso das elevadas taxas de juros, nos fez descer 5 posições em contraste com o lugar ocupado no 2º trim/25. O retrocesso é ainda mais notável, em contraste com o 3º trim/24, quando ocupávamos a 21ª colocação do ranking formado pelos mesmos 80 países, ou seja, uma queda de 44 posições.
Para o acumulado de 2025 até setembro, aparecemos na 54ª colocação do ranking feito pelo IEDI, bem diferente de onde estávamos em 2024 (23º) e também mais abaixo da posição ocupada em 2023 (46ª).
A indústria de transformação mundial no 3º trim/2025
De acordo com o relatório mais recente divulgado pela UNIDO (United Nations Industrial Development Organization), os dados do 3° trim/25 da indústria de transformação global indicam nova alta da produção na comparação com trimestre imediatamente anterior na série com ajuste sazonal (+0,7%), após crescer +1,0% no trimestre anterior. Isso reforça um padrão de seis trimestres de expansão constante, com o crescimento trimestral oscilando perto de +1,0% ou acima dele.
Na comparação interanual (trimestre frente ao mesmo período do ano anterior), por sua vez, a produção industrial avançou +3,9%, repetindo a mesma expansão dos dois trimestres anteriores.
De acordo com a UNIDO, a economia global tem demonstrado notável resiliência, apesar de desafios significativos, como o aumento das tarifas, as pressões inflacionárias, os gargalos nas cadeias de suprimentos, a instabilidade política e os conflitos regionais, refletindo o padrão consistente de crescimento trimestral positivo do setor manufatureiro observado desde meados de 2022.
O relatório enfatiza o papel dos crescentes riscos econômicos, a escassez de mão de obra em setores-chave e as interrupções decorrentes de conflitos geopolíticos e eventos climáticos continuam a pressionar a economia global. Abordar eficazmente esses desafios exigirá esforços internacionais coordenados, segundo a UNIDO. Ao mesmo tempo, o aumento dos gastos com defesa e a maior produção de equipamentos militares nas principais economias têm sustentado o impulso contínuo do setor manufatureiro.
Desempenho regional
A atividade manufatureira global registrou crescimento trimestral (trimestre/trimestre anterior) em quase todas as regiões no 3º trim/25, porém com bastante variação entre elas. Cabe destacar que, em termos gerais, em todas as regiões, a indústria apresentou resultados inferiores ao trimestre anterior, mas com maior desaceleração na Ásia e na América Latina. A África foi exceção, mas seus dados são limitados, segundo a UNIDO.
Dados limitados da África indicam uma expansão notável na produção industrial no 3º trim/25 frente ao trimestre anterior, e a maior dentre as regiões (+1,3%). Embora o desempenho em nível nacional tenha variado consideravelmente, a tendência geral no continente permaneceu positiva. A produção aumentou acentuadamente em comparação ao trimestre anterior em Angola (+15,7%), Costa do Marfim (+2,7%), Egito (+0,7%), Ruanda (+1,4%) e Senegal (+1,9%). Por outro lado, a atividade industrial na Mauritânia (+0,02%), Nigéria (-0,13%) e África do Sul (0,11%) apresentou ligeiras quedas ou estagnação no mesmo período.
Na comparação com o mesmo trimestre de 2024, as economias do continente africano cresceram +5,1%, ligeiramente superior aos dados do trimestre anterior (+5,0%), com variação positiva no Egito (+10,8%), Nigéria (+0,7%), Ruanda (+5,8%) e Senegal (+3,6%), enquanto África do Sul (-1,1%) assinalou recuo nesta comparação.
A Ásia e a Oceania (incluindo a China) apresentaram um crescimento trimestre/trimestre anterior volátil, porém predominantemente positivo. A expansão mais recente da região frente ao trimestre anterior (+1,1%) refletiu o desempenho dos principais produtores: Japão (+0,4%), Índia (+1,3%), Coreia do Sul (+1,5%). A China manteve sua sequência de crescimento trimestral acima de 1%, uma tendência iniciada em meados de 2023, com crescimento de +1,3%.
Se tomarmos a Ásia e Oceania excluindo a China, o resultado também foi positivo (+0,7%), porém bem menos robusto e com variação bem inferior ao trimestre anterior (+1,6%). Taiwan chegou a apresentar uma queda significativa, de -1,9%, após crescimento excepcional de +13,1% no trimestre anterior. Tailândia e Turquia também registraram reduções na produção industrial, de -0,7% e -3,3%, respectivamente.
Na comparação com o mesmo trimestre de 2024, a indústria da região da Ásia e Oceania (incl. China) manteve-se na liderança, ao expandir +5,6%. Quando excluímos a China desse grupo de países, a variação foi de +4,0%, e sozinho, o país cresceu +6,6%. O desempenho atual da região refletiu o desempenho a Província de Taiwan (+17,6%), Índia (+4,6%), Japão (+0,7%), Coreia do Sul (+3,5%) e Turquia (+5,1%), enquanto a Tailândia assinalou recuo de -2,2%.
Já o setor manufatureiro da América do Norte registrou um aumento de +0,3% no 3º trim/25 frente ao 2º trim/25, impulsionado principalmente pelos Estados Unidos, que registraram um aumento de +0,4%.
No trimestre jul-set/25 frente ao mesmo trimestre do ano anterior, a produção industrial na América do Norte avançou +1,1%, variação quase quatro vezes maior que o trimestre anterior (+0,3%), graças ao desempenho da produção dos Estados Unidos (+1,5%).
A produção da indústria da Europa está praticamente estagnada pelo segundo trimestre consecutivo (+0,2% no 2º trim/25 e +0,1% no 3º trim/25), após um aumento no início de 2025 (+1,4%). A República Tcheca (-0,8%), Alemanha (-1,0%), Irlanda (-1,1%) e o Reino Unido (-0,8%) apresentaram quedas significativas na produção, enquanto França (+0,7%), Itália (+0,4%) e Rússia (+0,4%) tiveram crescimento moderado.
Na comparação entre o 3º trim/25 e o 3º trim/24, a indústria da região cresceu +1,8%, com avanços significativos na Irlanda e Rússia, que avançaram +13,9% e +3,0%, respectivamente. Itália (+0,8%), Espanha (+1,5%) e França (+1,4%) também assinalaram avanço, porém, abaixo da média da região. Por outro lado, Alemanha (-1,3%) e Reino Unido (-1,0%) registraram variações negativas.
O setor manufatureiro da América Latina e do Caribe, por sua vez, teve queda de -0,6% no 3º trim/25, após três trimestres de relativa estabilidade na comparação com o trimestre anterior. Os dois maiores fabricantes da região apresentaram resultados fracos: a produção no México caiu -1,4% e no Brasil variou apenas +0,2%. Além disso, Argentina (-3,2%) e Uruguai (-1,3%) sofreram contrações significativas na produção, enquanto Colômbia (+1,3%), Costa Rica (+2,7%) e Nicarágua (+2,0%) apresentaram ganhos trimestrais.
Frente ao mesmo trimestre de 2024, a indústria latino-americana recuou -0,1%, após crescimento de +2,4% no trimestre anterior. Os resultados dos maiores produtores industriais da região puxaram o resultado para baixo: Brasil obteve recuo de -0,6%, Argentina decresceu -1,6%, e o México recuou -1,8%.
O desempenho das economias industrializadas
As economias industrializadas representam cerca de 87,7% do valor agregado na indústria mundial de acordo com a UNIDO e inclui os seguintes países: Argentina, Austrália, Áustria, Bielorrússia, Bélgica, Brasil, Brunei, Bulgária, Canada, China, Taiwan, Colômbia, Costa Rica, Croácia, Rep. Tcheca, Rep. Dominicana, Egito, El Salvador, Estônia, Finlândia, França, Alemanha, Hungria, Indonésia, Irlanda, Israel, Itália, Japão, Jordânia, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malásia, Malta, Ilhas Maurício, México, Holanda, Nova Zelândia, Peru, Filipinas, Coreia, Polônia, Romênia, Rússia, Servia, Singapura, Eslováquia, Eslovênia, África do Sul, Espanha, Sri Lanka, Suécia, Suíça, Tailândia, Trinidad e Tobago, Turquia, Reino Unido, EUA e Uruguai.
No 3º trim/25, a indústria de transformação deste grupo de economias cresceu +0,7% na comparação com trimestre anterior, após ganhos de +1,3% e +1,5% nos dois trimestres anteriores. Uma análise mais detalhada revela padrões de crescimento diversos: Bélgica (+5,1%), Dinamarca (+4,4%), Israel (+4,6%) e Singapura (+8,6%) registraram aumentos trimestrais superiores a 4% em comparação com o 2º trim/25. Em contraste, a produção industrial na Finlândia (-2,6%), Romênia (-2,4%) e Tailândia (-3,3%) apresentou quedas significativas.
Ainda na comparação como trimestre anterior, dados desagregados revelam o desempenho volátil das economias industriais de alta renda nos últimos trimestres, com o aumento de +0,4% no trimestre atual, após um ganho de +0,7% no trimestre anterior. O desempenho dentro deste grupo variou consideravelmente, com importante crescimento para Austrália (+1,3%), Chile (+0,8%) e Suécia (+2,1%), enquanto Alemanha (-1,0%) e a província de Taiwan (-1,9%), experimentaram quedas substanciais na produção industrial.
Em contraste, a China, classificada como uma economia industrial de renda média, registrou novamente forte crescimento, com a produção aumentando +1,3% no3º trim/25. Dada a participação substancial da China na produção total dentro deste grupo, ela é apresentada separadamente para maior clareza analítica.
Excluindo a China, a produção das economias industriais de renda média caiu -0,6% neste trimestre, após um período de crescimento desigual. O desempenho neste grupo foi diverso: Costa Rica (+2,7%), Malásia (+1,9%) e Vietnã (+0,4%) registraram ganhos sólidos, enquanto Bielorrússia (-1,7%), Bósnia e Herzegovina (-1,4%) e Turquia (-0,7%) enfrentaram reduções consideráveis na produção.
De acordo com a UNIDO, desde 2015, todos os grupos apresentaram crescimento constante, com exceção da contração relacionada à pandemia em 2020. A China tem consistentemente superado outros grupos industriais, apesar de uma desaceleração temporária no início de 2022. Em contraste, as economias industriais de alta renda registraram apenas um crescimento limitado na última década.
Desempenho das economias em industrialização
Apesar de incluir quase 70% dos países, esse grupo de economias em industrialização representa uma parcela de 12,3% da produção industrial global em 2024.
Apesar da sua diversidade, os países deste grupo, em todos os níveis de renda, poderiam se beneficiar substancialmente do fortalecimento de seus setores manufatureiros e da transição para uma estrutura econômica impulsionada por uma indústria de alta produtividade. Nos últimos anos, o desempenho industrial do grupo tem melhorado gradualmente, alcançando um crescimento da produção trimestral de +0,7% no 3º trim/25.
A produção nas economias em industrialização de alta e média renda aumentou no trimestre atual em +0,5% e +0,7%, respectivamente, embora os dois grupos tenham seguido trajetórias marcadamente diferentes desde o início de 2024.
Dentro das economias em industrialização de renda média, o maior grupo da UNIDO em número de países, Angola, Maldivas e Mongólia registraram aumentos trimestrais superiores a 3%, enquanto Honduras, Montenegro e Sri Lanka experimentaram quedas significativas na produção.
O número de economias de baixa renda que reportam consistentemente dados sobre a produção manufatureira diminuiu nos últimos períodos. Devido à cobertura inadequada dos dados, esse grupo foi excluído da análise. No entanto, os dados disponíveis de países individuais, indicam aumentos moderados na produção no 3º trim25.
Desempenho das Economias Emergentes
O grupo especial de economias industriais emergentes, de acordo com a definição da UNIDO, inclui 12 países de baixa e média renda, cujos setores industriais demonstraram significativo dinamismo em anos recentes. O grupo também inclui economias em estágios anteriores de desenvolvimento industrial, mas onde o setor apresenta igualmente forte crescimento.
A produção industrial deste grupo demonstrou um forte desempenho, superando significativamente a média mundial, bem como as médias das economias industrializadas e em industrialização, todas com variação de +0,7%. Desde meados de 2023, as taxas de crescimento trimestrais têm consistentemente ultrapassado 1%, incluindo um sólido aumento de +1,3% no período jul-set/25.
Em nível nacional, todas as economias com dados disponíveis registraram crescimento industrial no 3º trim/25. A Malásia liderou o grupo, registrando crescimento trimestral de +1,9%, seguida por Bangladesh (+1,1%), China (+1,3%), Índia (+1,3%) e Ruanda (+1,4%), apresentaram ganhos superiores a 1%.
O Vietnã, por outro lado, registrou um aumento de apenas +0,4%, refletindo sua trajetória historicamente volátil, com períodos de rápido crescimento intercalados com quedas acentuadas ocasionais.
Análise setorial
De acordo com a UNIDO, os dados do 3° trim/25 mostram que as indústrias de conteúdo tecnológico mais elevado continuam demonstrando forte dinamismo em meio a muitos desafios.
Nos últimos trimestres, as indústrias de média-alta e alta tecnologia permaneceram em forte trajetória de crescimento, superando outros setores. Desde meados de 2024, essas indústrias têm sustentado um crescimento trimestral acima de 1%, culminando em um sólido crescimento de +1,4% no 3º trim/25. Em contraste, os setores de menor intensidade tecnológica ficaram para trás, com a produção permanecendo estacionada nos últimos dois trimestres.
O bom resultado da indústria de alta tecnologia no 3º trim/25, segundo a UNIDO, foi impulsionado principalmente por uma recuperação na produção farmacêutica, que cresceu +3,1% após uma desaceleração no trimestre anterior.
Outros equipamentos de transporte (+2,3%) e computadores e eletrônicos (+2,3%) também registraram mais um trimestre de crescimento, apresentando desempenho superior ao do 3º trim/24.
Em contrapartida, os setores de menos tecnologia apresentaram queda de produção ou crescimento modesto, com poucas exceções.
Na análise desagregada dos setores por grupo de países, tanto os países industrializados como em industrialização apresentaram resultados diversos, com quase todos os setores de alta tecnologia alcançando um crescimento sólido. O setor farmacêutico foi uma exceção notável: as economias em industrialização experimentaram um declínio na produção, enquanto as economias industrializadas registraram um forte crescimento.
Embora tanto as economias industrializadas quanto as em industrialização tenham crescido cerca de +0,7% no 3º trim/25, as economias em industrialização tiveram menos setores com queda na produção. No entanto, o forte impulso das principais indústrias nas economias industrializadas resultou em um desempenho geral comparável entre os dois grupos.
Ranking Indústria de Transformação Mundial
A partir da base de dados da UNIDO, o IEDI elaborou rankings internacionais de crescimento da produção da indústria de transformação com 80 países para o 3º trim/25.
Cabe observar que as séries empregadas pela UNIDO possuem ajuste sazonal, embora usualmente o IBGE use dados sem ajuste nas comparações frente ao mesmo período do ano anterior. Por esta razão, pode haver pequena alteração em relação aos resultados divulgados pelo IBGE.
No 3º trim/25, o desempenho divulgado pela UNIDO com ajuste sazonal para a indústria de transformação do Brasil aponta para uma alta de +0,2% frente ao 2º trim/25. Nesta comparação, a indústria brasileira ficou bem abaixo do resultado para o agregado do setor no mundo (+0,7%).
Em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, o setor manufatureiro brasileiro chegou a recuar -0,6% no 3° trim/25, enquanto a indústria global cresceu +3,9%.
Dentre os 80 países da amostra com dados disponíveis na base da UNIDO, considerado apenas o desempenho do 3º trim/25 frente o 3º trim/24, o Brasil apresentou significativa piora: aparecemos na 65ª colocação, após termos ficado na 60ª posição no 2º trim/25 (+0,5%) e 39ª posição no 1º trim/25 (+2,4%).
Em comparação com a posição que ocupamos no 3º trim/24 (21ª posição), houve retrocesso ainda mais acentuado, como mostra a tabela abaixo, dado que o Brasil caiu 44 colocações no ranking.
Mesmo com esse resultado, a indústria de transformação no Brasil superou países como Reino Unido (-1,0%), Alemanha (-1,3%) e México (-1,8%) no 3º trim/25.
Entre as primeiras posições do ranking ficaram Angola, Maldivas, Taiwan, Montenegro e Irlanda, com variações de dois dígitos.
No acumulado de 2025 até setembro, o Brasil ficou com 54ª posição no ranking dos 80 países. Na comparação do período de jul-set/25 frente ao resultado do mesmo período de 2024, as economias que se destacaram foram Angola, Irlanda, Taiwan, Montenegro e Maldivas, enquanto Costa do Marfim, Dinamarca, Hungria e Bulgária foram os resultados mais negativos da amostra de países com dados disponíveis.

















