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                          Carta IEDI

                          Edição 975
                          Publicado em: 07/02/2020

                          Mirando o futuro

                          Sumário

                          Depois de dois anos seguidos de recuperação, em 2019, a indústria voltou a registrar resultado negativo em sua produção. Definitivamente, este não foi um bom resultado, frustrando as expectativas de uma aceleração do crescimento do setor que predominavam nos primeiros meses do ano passado. Mas isso já são águas passadas e é preciso olhar para frente.

                          Nesta Carta, o IEDI busca não apenas fazer um balanço do desempenho industrial em 2019, mas também identificar sinais que podem estar indicando dias melhores para o setor nesta entrada de 2020. A estratégia industrial proposta pelo Instituto pode contribuir para que estes sinais se ampliem e ganhem força.

                          Em 2019, a produção industrial encerrou o ano com declínio de -1,1%, condicionado em grande medida pela forte retração do ramo extrativista (-9,7%), devido aos desdobramentos do desastre de Brumadinho e a fatores climáticos no Norte do país, bem como pela estagnação da indústria de transformação (+0,1%).

                          Na indústria de transformação, um grande obstáculo a um dinamismo mais forte foi a crise da economia argentina, que afetou muito nossas exportações de manufaturados, especialmente as da cadeia automobilística. Como consequência, o macrossetor de bens de consumo duráveis desacelerou muito, passando de +7,9% em 2018 para +2,0% em 2019, mas seguiu sendo o que melhor se saiu no ano passado. Em situação mais grave ficaram bens intermediários (-2,2%) e bens de capital (-0,4%).

                          No último trimestre do ano passado, contudo, ocorreu uma melhora no desempenho da indústria como um todo, que não deve passar despercebida porque traz uma sinalização favorável para este início de 2020. A produção no 4º trim/19 reduziu sua perda (-0,6%) pela metade se comparada com o resultado do acumulado no ano (-1,1%) e a indústria de transformação voltou ao azul, registrando alta de +0,9%.

                          O detalhamento do resultado industrial realizado pelo IEDI, a partir de dados oficiais do IBGE, mostrou que, dos 93 segmentos identificados, a parcela com resultados positivos avançou de 35% no 1º trim/19 para 53% no 4º trim/19. Isso corresponde a uma alta de +60% do número de segmentos que saíram do vermelho ao longo de 2019 (de 33 para 53 ramos). 

                          Entre aqueles com melhora estão alguns bens de consumo duráveis, como eletrodomésticos, favorecidos pelo progresso no quadro do crédito às famílias e pela liberação do FGTS, e certos bens de capital, como máquinas e equipamentos de uso industrial específico.

                          De fato, a produção de bens de capital para a própria indústria tem conseguido reagir muito mais fortemente do que a produção total de bens de capital, o que dá uma sinalização positiva para o investimento no setor. No 4º trim/19, enquanto bens de capital como um todo caiu -3,5% frente ao 4º trim/18, sobretudo em função da retração de bens de capital para a agricultura (-22,6%), a produção de bens de capital para a indústria aumentou +4,6%.

                          Outro indício positivo para estes primeiros meses de 2020 é que os níveis de estoques chegaram em dez/19 ajustados ou abaixo do desejado em 65% dos ramos da indústria, o que abre espaço para um aumento de produção subsequente. Além disso, o empresário industrial voltou a ficar otimista, segundo os indicadores de confiança tanto da CNI como da FGV, registrando melhora não desprezível inclusive em seu componente mais vinculado ao dia a dia das empresas (índice da situação atual).

                          Um fator adicional bom para o investimento e para o ritmo de produção é a melhora da situação patrimonial das empresas. A Carta IEDI n. 952  já havia mostrado recomposição da margem líquida de lucro da indústria (exceto Petrobras e Vale) de 1,9% no 1º sem/18 para 3,8% no 1º sem/19, chegando a 5,3% em abr-jun/19. Dados mais recentes do CEMEC/Fipe sugerem que este processo pode ter tido continuidade. Pela primeira vez desde 2011, o retorno sobre o capital próprio das empresas abertas (de todos os setores) ficou acima do custo médio de capital no 3º trim/19.

                          Embora todos positivos, este conjunto de sinais podem esbarrar em distorções estruturais de nossa economia que ainda não estão equacionadas, retirando sua força e capacidade de difusão para todo o sistema produtivo. Por isso, é importante que avancemos na retirada destes entraves. O IEDI, em sua estratégia “Por uma indústria padrão mundial ”, divulgada no final do ano passado, traz orientações com este objetivo.

                          Neste documento, o IEDI reconhece avanços já obtidos, como as reformas da previdência e trabalhista, os esforços de ajustamento das finanças públicas e a redução dos níveis de taxas de juros do país, e enfatiza outros que precisam ser obtidos, a exemplo da reforma tributária, que, em havendo a introdução de um imposto sobre valor agregado (IVA), contemple uma única regulamentação e recolhimento a nível nacional, incidência no destino e devolução imediata dos créditos gerados. 

                          Ademais, o aprofundamento da reforma trabalhista será importante ferramenta para aumento da produtividade, diminuição da insegurança jurídica e adaptação às novas formas de trabalho. O Instituto recomenda ainda vários pontos a serem seguidos para aumentar a competitividade e a produtividade, envolvendo: a redução da insegurança jurídica; o desenvolvimento do mercado de capitais e o novo papel do BNDES; a diminuição do custo do crédito; os ajustes na regulação econômica e a melhora do ambiente de negócios; e o incentivo aos investimentos privados em infraestrutura.

                          Nesta mesma direção, são recomendadas linhas de políticas para ampliar e melhorar a inserção externa da economia brasileira. O país deve abrir o maior número de frentes possíveis de negociações comerciais e ter iniciativa para reduzir suas barreiras internas aos fluxos de comércio. A agenda de redução do chamado “Custo Brasil” se faz absolutamente necessária para potencializar os ganhos do país com o avanço da integração internacional.

                          Na estratégia industrial, são recomendadas cinco linhas de ação: indústria 4.0, para difundir as tecnologias emergentes e assegurar certo protagonismo no desenvolvimento dessas inovações; potencialização da inovação, fortalecendo a educação e promovendo sua articulação com o setor produtivo em políticas orientadas a missões; modernização do parque industrial, de modo a alavancar a produtividade e competitividade; aumento da exportação de manufaturados; e agregação de valor a atividades como a agropecuária e extração mineral.

                           

                          Resultados da Indústria

                          Em dezembro de 2019, a produção industrial caiu -0,7% na comparação com o mês anterior, já descontados os efeitos sazonais. Juntamente com novembro (-1,7%), foi eliminado todo o crescimento obtido entre agosto e outubro nesta comparação. Deste modo, o segundo semestre não trouxe toda a melhora que se esperava, embora tenha amenizado o declínio do setor. Em resumo, a indústria permaneceu com um desempenho restringido, exposta a reveses importantes em sua trajetória de recuperação.

                          O resultado da indústria em comparação com o mesmo período do ano anterior também foi negativo em dezembro de 2019: -1,2% (assim como em novembro), apesar de existir um efeito calendário positivo, já que dez/19 conta com um dia útil a mais do que dez/18. O balanço da segunda metade do ano nesta comparação foi de 4 meses de queda e apenas 2 de crescimento (set-out/19).

                          Mesmo negativo, o último trimestre de 2019 foi o menos adverso do ano. A produção geral variou -0,6%, muito aquém dos -2,1% do 1º trim/19. No 2º trim/19 e no 3º trim/19, o desempenho industrial foi de -0,8% e -1,2%, respectivamente.

                          Deste modo, o saldo geral no acumulado de 2019 não escapou do vermelho, depois de dois anos de recuperação (2017 em que cresceu +2,5% e 2018 com +1,0%). O ano passado encerrou com variação de -1,1%. A melhora relativa da segunda metade do ano passado foi suficiente apenas para gerar uma atenuação do retrocesso, que havia chegado em -1,7% em jan-ago, frente ao mesmo período do ano anterior. 

                          Em relação aos macrossetores, na comparação com novembro de 2019, descontados os efeitos sazonais, houve queda em três e estabilidade em um dos quatro macrossetores acompanhados pelo IBGE. A maior queda foi registrada por bens de capital, cuja produção registrou -8,8%, seguidos por bens de consumo duráveis, com -2,7%, e bens de consumo semi e não duráveis, com -1,4%. Bens intermediários foi o macrossetor que não caiu, mas também não conseguiu avançar na passagem de novembro para dezembro ao variar +0,1%.

                          Na comparação de dezembro de 2019 com dezembro de 2018, variações negativas pontuaram metade dos macrossetores industriais. O pior desempenho ficou a cargo de bens de capital, com -5,9%, seguido por bens intermediários, cuja produção declinou -2,1%. Bens de consumo, por sua vez, caminharam em direção oposta. Bens de consumo duráveis cresceram +1,6% e os semi e não duráveis aumentaram sua produção em +1,2%.

                          Em dezembro de 2019, o aumento interanual de +1,6% em bens de consumo duráveis foi assegurado, sobretudo, pela expansão da fabricação dos eletrodomésticos da “linha marrom” (+21,7%), por conta da maior produção de televisores, e também de motocicletas (+4,1%) e de outros eletrodomésticos (+25,3%). Por sua vez, a redução na fabricação de automóveis (-3,4%) exerceu a maior influência negativa nessa categoria, seguida pelos grupamentos de eletrodomésticos da “linha branca” (-2,0%) e de móveis (-0,3%).

                          Bens de consumo semi e não-duráveis registraram alta de +1,2% ante dez/18 devido, em grande parte, ao desempenho favorável nos grupamentos de alimentos e bebidas elaborados para consumo doméstico (+3,1%) e de semiduráveis (+6,4%). Em direção oposta, os subsetores de não-duráveis (-3,4%), devido a medicamentos, sabões ou detergentes em pó e amaciantes, e carburantes (-5,7%), em função de álcool etílico, exerceram as maiores pressões negativas.

                          No que diz respeito aos macrossetores em queda no último mês do ano passado, o resultado de -2,1% de bens intermediários deu-se sob impacto desfavorável de produtos associados às atividades de indústrias extrativas (-12,2%), de metalurgia (-10,4%), de produtos alimentícios (-4,1%), de máquinas e equipamentos (-8,9%), de produtos de minerais não-metálicos (-3,3%), de celulose, papel e produtos de papel (-4,0%), entre outros. Registraram crescimento, a seu turno, as atividades associadas a coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (+16,2%), veículos automotores, reboques e carrocerias (+5,4%), produtos têxteis (+9,5%) e produtos de borracha e de material plástico (+2,0%), entre outras.

                          Já bens de capital, que diminuíram sua produção em -8,8% frente a dez/18, foram influenciados negativamente por bens de capital para equipamentos de transporte (-8,0%) e agrícolas (-34,8%). Seu quadro foi amenizado pelos impactos positivos dos grupamentos de bens de capital para energia elétrica (+10,2%), para construção (+5,8%), para fins industriais (+0,8%) e de uso misto (+1,9%).

                          No acumulado de janeiro a dezembro de 2019, em que a indústria geral caiu -1,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, os macrossetores de bens intermediários e de bens de capital ficaram no vermelho: -2,2% e -0,4%, respectivamente. Bens de consumo, por sua vez, conseguiram crescer, registrando +2,0% em bens duráveis e +0,9% em semi e não duráveis. 

                          A contar pelo desempenho no último trimestre de 2019, que dá um indicativo para o quadro industrial no início de 2020, três dos quatro macrossetores, assim como a indústria geral, apresentaram melhora. Em seu todo, o setor registrou uma queda no 4º trim/19 (-0,6%) que foi a metade do acumulado no ano (-1,1%). Bens intermediárias seguiram na mesma trajetória de amenização: -1,5% no 4º trim/19 ante -2,2% em 2019 todo. Bens de consumo duráveis (+3,3% no 4º trim/19 ante 2,0% em 2019) e semi e não duráveis (+2,0% ante +0,9%) cresceram mais fortemente no final do ano. Somente bens de capital registraram agravamento da situação: -3,5% no 4º trim/19 frente a -0,9% em 2019.

                          Por dentro da Indústria de Transformação

                          O decrescimento de -0,7% da produção industrial geral em dezembro de 2019 ante novembro, já realizado o ajuste sazonal, foi acompanhado de variação de -0,6% na indústria de transformação, depois de ter recuado -1,6% no mês anterior. O ramo extrativo, a seu turno, registrou variação de -1,4% nesta comparação, quarto mês consecutivo de queda.

                          Em relação a dezembro de 2018, o desempenho do ramo extrativo acompanhou a indústria geral (-1,2%), mas de forma muito mais intensa: -12,3%. A indústria de transformação, por sua vez, conseguiu evitar o terreno negativo e cresceu +0,8%, anulando a queda de -0,7% do mês de novembro. Cabe lembrar que dez/19 contou com um efeito calendário positivo, pois teve um dia útil a mais do que dez/18. 

                          Frente a novembro de 2019, na série com ajuste sazonal, o decréscimo de -0,7% da indústria geral foi acompanhado por 17 dos 26 ramos pesquisados. Entre as atividades, as principais influências negativas foram registradas por veículos automotores, reboques e carrocerias (-4,7%) e máquinas e equipamentos (-7,0%), seguidos por produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-6,2%), artefatos de couro, artigos para viagem e calçados (-6,6%), metalurgia (-1,9%), produtos de metal (-2,9%), entre outros, além do ramo extrativo. Em sentido oposto, ampliaram a produção coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (+4,2%), impressão e reprodução de gravações (+39,8%) e confecção de artigos do vestuário e acessórios (+5,3%), entre outros.

                          Na comparação com igual mês do ano anterior, em que a indústria geral apresentou recuo de -1,2% na produção, variações negativas marcaram o desempenho de 14 dos 26 ramos, 36 dos 79 grupos e 49,4% dos 805 produtos pesquisados. As maiores influências adversas vieram de: metalurgia (-10,4%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-17,3%), máquinas e equipamentos (-7,2%), veículos automotores, reboques e carrocerias (-2,6%), artefatos de couro, artigos para viagem e calçados (-8,6%), celulose, papel e produtos de papel (-2,9%), entre outros, além do ramo extrativo. 

                          Exportação

                          Segundo os dados da Funcex, divulgados pelo IBGE conjuntamente com os resultados da produção industrial, o quantum das exportações de manufaturados no mês de dezembro de 2019 caiu -9,5%, frente ao mesmo mês do ano anterior. Com isso, o desempenho acumulado nos 12 meses do ano continuou negativo em -6,0% ante o mesmo período do ano anterior, isto é, uma realidade bastante diferente do acumulado jan-dez/18, quando as exportações de manufaturados cresciam +2,8%. O revés exportador da indústria tem sido um componente da recente etapa recessiva pela qual o setor passou.

                          Por sua vez, as importações em quantum de matérias-primas para a indústria aumentaram +5,1% na comparação com dezembro de 2018. O resultado acumulado em janeiro-dezembro de 2019 foi positivo em +6,7%, passando a apresentar um patamar de crescimento superior ao do acumulado jan-dez/18 (+5,0%).

                          Utilização de Capacidade

                          O nível de utilização da capacidade instalada da indústria de transformação, de acordo com a série da FGV com ajustes sazonais, foi de 75,1% em dezembro de 2019, registrando queda de -0,3 ponto percentual em relação ao mês anterior e representando o nível mais baixo desde jun/19 (75 pontos). O indicador ficou acima do nível de dez/18 (74,1%), mas longe de sua média histórica, que é de 80%.

                          O indicador da CNI também registrou declínio (-0,5 ponto percentual) na passagem de novembro para dezembro, retornando ao patamar do mês de ago/19. Ficou em 77,7% em dez/19. Tal como ocorre no caso do indicador da FGV, a utilização aferida pela CNI permaneceu abaixo da média histórica do indicador, iniciado em jan/03, e que é de 80,8%.

                          A permanência da utilização da capacidade em níveis historicamente baixos e sem uma trajetória inconteste de acentuada melhora não é um indício favorável para a evolução futura do investimento, isso porque máquinas e equipamentos atualmente ociosos deverão ser postos em funcionamento antes de os empresários pensarem em ampliar sua capacidade de produção. Em contrapartida, a existência de capacidade ociosa significa que existem plenas condições de oferta para garantir uma recuperação da atividade econômica sem pressões inflacionárias.

                          Estoques

                          De acordo com os dados da Sondagem Industrial da CNI, os estoques de produtos finais da indústria em dezembro de 2019 assinalaram índice de 46,7 pontos, implicando a terceira redução seguida (em setembro estava em 50,4 pontos). Vale lembrar que valores inferiores a 50 pontos indicam queda de estoques e acima desta marca, aumento deles. No caso do segmento da indústria de transformação, o indicador registrou 46,9 pontos (-2,1 ponto frente a nov/19) e na indústria extrativa ficou em 44,5 pontos (-3,3 pontos frente a nov/19), sugerindo que o declínio da produção industrial em dezembro teve como consequência a redução dos estoques acumulados nos dois meses anteriores. Isso abre espaço para a recomposição do nível de produção no início de 2020.

                          Na avaliação dos empresários, os estoques efetivos da indústria geral ficaram pouco abaixo do nível planejado, com um indicador de satisfação em 49 pontos. Esta foi a primeira vez em 2019, desde janeiro, que, segundo a medição da CNI, os estoques ficaram aquém do planejado. Este ajustamento, embora possa não ser fator suficiente, ao menos retira um dos obstáculos ao retorno ao crescimento da produção industrial no início de 2020. No caso do setor extrativo e no caso da indústria de transformação, o indicador de satisfação dos estoques ficou em 51,1 pontos e em 49,0 pontos, respectivamente. 

                          No grupo da indústria de transformação, 17 dos 26 ramos acompanhados pela CNI (isto é, 65,4% do total) tiveram estoques iguais ou menores do que o planejado (50 pontos) em dezembro de 2019. Dentre estes, estão os ramos de outros equipamentos de transporte (40 pontos), máquinas e limpeza e perfumaria (43,3 pontos), minerais não metálicos (43,7 pontos) e móveis (43,9 pontos), entre outros. Em contraste, ficaram com estoques efetivos acima do planejado em dezembro os metalurgia (54,3 pontos), couros (52,6 pontos), informática, eletrônicos e ópticos (52,3 pontos) e químicos (52,2 pontos), entre outros.

                          Confiança e Expectativas

                          Com a virada do ano e os sinais de melhora relativa do final de 2019, a confiança do empresariado industrial, segundo o Índice de Confiança do Empresário da Indústria de Transformação da CNI (ICEI), voltou a progredir em novembro e dezembro últimos. Em janeiro de 2020, este movimento teve continuidade, com o indicador avançando de 64,6 pontos para 65,7 pontos de dez/19 para jan/20. Por se encontrar acima da marca de 50 pontos, este indicador registra otimismo dos empresários e é mais um indício de que 2020 tende a ser de maior dinamismo industrial.

                          O desempenho da confiança em janeiro de 2020 resultou de melhora de seu componente de avaliação das condições atuais dos negócios, que atingiu sua melhor marca desde meados de 2010. O indicador registrou a patamar de 59,4 pontos, uma alta de +0,8 ponto frente a dez/19 e de +4,7 pontos ante jan/19. Ainda que esta melhora possa não se verificar na evolução efetiva da produção física, segundo os dados do IBGE, tal como ocorreu em nov-dez/19, esta evolução traz boas perspectivas para o início de 2020. 

                          O componente do ICEI-CNI de expectativas em relação ao futuro não só se encontra em patamar superior ao componente de avaliação das condições atuais, como também apresentou elevação, de 67,6 pontos em dezembro último para 68,8 pontos em jan/20 (+1,2 ponto). Apesar disso, as expectativas ainda não chegaram a superar o grau de otimismo do final de 2018 (69 pontos em dez/18). De todo modo, no caso deste indicador, o quadro permaneceu de otimismo (acima de 50 pontos) ao longo de todo 2019, a despeito do quadro recessivo vivido pela indústria.

                          Por sua vez, o Índice de Confiança da Indústria de Transformação (ICI) da FGV, que vinha desde junho do ano passado na região que indica pessimismo dos empresários (abaixo dos 100 pontos), progrediu em dezembro para 99,4 pontos e em janeiro de 2020 para 100,9 pontos, apontando que os empresários voltaram a ficar otimistas (acima dos 100 pontos). O resultado do ICI-FGV em jan/20 foi condicionado principalmente por seu componente de expectativas em relação ao futuro, que evoluiu de 99,2 pontos em dez/19 para 102 pontos em jan/20 (+2,8 pontos). Seu componente Índice da Situação Atual ficou praticamente estável, passando de 99,6 pontos em dez/19 para 99,7 pontos em jan/20.

                          Outro indicador frequentemente utilizado para se avaliar a perspectiva do dinamismo da indústria é o Purchasing Managers’ Index – PMI Manufacturing, calculado pela consultoria Markit Financial Information Services. Depois de seu nível ter caído em jul/19 (49,9 pontos) abaixo da linha de 50 pontos pela primeira vez desde jun/18, apresentou reação a partir do mês de ago/19. Em jan/20, ficou em 51 pontos, isto é, 0,8 ponto acima de patamar de dez/19. Vale observar que valores acima de 50 pontos sugerem melhora das condições de negócio e abaixo desta marca, piora. Por isso, a despeito do declínio recente da produção física da indústria, o quadro geral apontado pelo indicador continua em região favorável ao dinamismo do setor.

                          Os indicadores de confiança acima mencionados, notadamente seu componente referente às avaliações dos negócios correntes, sugerem que o desempenho da produção industrial poderá retomar o crescimento neste início de ano, depois da inflexão sofrida em 2019.

                          Anexo Estatístico 

                          Mais Informações

                          Tabela: Produção Física - Subsetores Industriais

                          Variação % em Relação ao Mesmo Mês do Ano Anterior (clique aqui)

                           
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                          Carta IEDI n. 1352 - Ambição industrial europeia: um novo capítulo com o Industrial Accelerator Act 2026
                          Publicado em: 20/03/2026

                          A Lei de Aceleração Industrial da União Europeia, divulgada em março, dá musculatura à política industrial europeia, reforçando o vínculo entre a indústria e as ações de descarbonização e o apoio à inovação.

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                          Carta IEDI n. 1351 - A indústria em jan/26: reação, mas com fragilidades
                          Publicado em: 16/03/2026

                          Para a indústria nacional, 2026 começou com aumento de produção com razoável intensidade, mas mesmo assim não suficiente para anular integralmente as adversidades do final de 2025. 

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                          Carta IEDI n. 1350 - Juros altos e restrições ao financiamento corporativo em 2025
                          Publicado em: 13/03/2026

                          Em 2025, as condições de financiamento do setor privado no Brasil se deterioraram na esteira da elevação da Selic, ocasionando menor expansão do crédito bancário às empresas e redução das emissões de títulos de dívida corporativa.

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                          Carta IEDI n. 1349 - Perdendo fôlego: o quadro indústria do Brasil em 2025 por intensidade tecnológica
                          Publicado em: 06/03/2026

                          Ao longo de 2025, à exceção da alta tecnologia, todas as demais faixas da indústria de transformação apontaram redução de atividade, com duas delas terminando o ano no vermelho.

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                          Carta IEDI n. 1348 - A desaceleração industrial de 2025
                          Publicado em: 20/02/2026

                          2025 terminou com a indústria brasileira de volta ao vermelho no último trimestre, freada sobretudo pelos ramos de bens de capital e de consumo duráveis, refletindo claramente o peso da conjuntura de elevadas taxas de juros sobre o setor.

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                          Carta IEDI n. 1347 - Avanço exportador, mas piora da balança da indústria em 2025
                          Publicado em: 13/02/2026

                          A despeito do tarifaço americano, nossas exportações de bens industriais voltaram a crescer em 2025, mas sem compensar o avanço das importações, que marcou sobretudo os produtos de maior intensidade tecnológica.

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                          Carta IEDI n. 1346 - Megatendências globais e a importância da indústria na superação dos desafios
                          Publicado em: 06/02/2026

                          A UNIDO aborda os desafios e oportunidades que se apresentam aos países em desenvolvimento no contexto de cinco megatendências que estão remodelando a indústria global.

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                          Carta IEDI n. 1345 - Expansão industrial no Mundo e desaceleração no Brasil
                          Publicado em: 22/01/2026

                          Os últimos dados divulgados pela UNIDO apontam nova expansão da indústria manufatureira mundial no 3º trim/25, com leve sinal de acomodação, vindo da Ásia e da América Latina.

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