IEDI na Imprensa - Brasil precisa abrir mais mercados para exportação, defendem especialistas
Valor Econômico
Para analistas, é difícil ter alguma ação que anule a magnitude do aumento tributário de Trump, caso a elevação persista
Marta Watanabe
As medidas anunciadas nesta quarta-feira (13) pelo governo devem atenuar os efeitos do tarifaço de Donald Trump, mas é difícil ter alguma ação que anule a magnitude do aumento tributário, caso a elevação persista. O caminho é a agenda para tirar o atraso na competitividade da indústria, para abrir novos mercado de forma sustentada. A avaliação é do economista Rafael Cagnin, do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI).
“É importante que se tente amortecer os impactos imediatos, porque muitas atividades estavam em andamento.”Parte das medidas, diz, além de corretas, deveria ter vindo há mais tempo, como a ampliação do Reintegra, programa que busca compensar perdas com tributos não restituídos ao longo da cadeia. O reforço do sistema de financiamento de exportação, diz, também é uma demanda antiga da indústria.
O reforço do Fundo Garantidor de Exportação (FGE), diz, embora tenha orientação mais conjuntural, traz uma boa oportunidade também para voltar a discutir o Eximbank, que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) queria criar.
Um olhar de longo prazo, afirma, exige medidas complementares nesse sentido, que permitam a abertura de novos mercados de forma consistente. Cagnin diz que se os produtos afetados pela tarifa de 50% seguirem com taxação alta, o padrão na relação comercial com os EUA muda. “É inevitável que haja efeito sobre o volume de venda e de exportação das empresas atingidas, com impacto no faturamento e no emprego.”
“Há um trabalho mais complexo que leva mais tempo, de conquista de competitividade. Uma diplomacia comercial ativa ajuda a abrir portas. Mas, para ter um fluxo de mercadorias, é preciso ter condições econômicas de competitividade. No caso das exportações, a reforma tributária é um passo, mas é preciso implementar outras medidas.”
Avaliação semelhante tem o economista Claudio Frischtak, fundador e presidente da Inter.B Consultoria. Na visão dele, o Brasil deveria aproveitar a oportunidade criada pelo tarifaço para acelerar e intensificar o trabalho de prospecção de mercados, com envolvimento dos governos federal, estaduais e setor privado.
Para ele, medidas como concessão de crédito e adiamento da cobrança de tributos, previstas no plano, são ações emergenciais, mas que podem indicar inversão de pautas que precisam ser atacadas com mais profundidade.
Frischtak avalia que os governos, nas diferentes esferas, e empresas de setores afetados pela taxação de 50% deveriam ampliar as missões de prospecção de mercado. No caso das empresas, inclusive, seria o caso de se formar consórcios na busca de novos mercados. Embora essa iniciativa seja mais demorada, reconhece, a ação teria melhores resultados.
