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                          IEDI na Imprensa - Investimento reage no PIB, mas sinaliza perda de fôlego

                          Publicado em: 05/12/2025

                          Valor Econômico

                          Resultado do trimestre é afetado por importação de plataforma de petróleo; juro deve frear alta nos próximos meses

                          Michael Esquer , Isadora Camargo , Alessandra Saraiva e Lucianne Carneiro

                          Os investimentos inverteram a queda do segundo trimestre e tiveram alta no PIB do terceiro trimestre deste ano, mas o desempenho não deve mudar a tendência de desaceleração. Primeiro porque os juros elevados (Selic a 15% ao ano) inibem os investimentos. Segundo porque o resultado do terceiro trimestre foi influenciado pela entrada no país de plataformas de petróleo, aponta IBGE.

                          Depois da queda de 2,2% no segundo trimestre, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) cresceu 0,9% no terceiro trimestre ante o segundo, com ajuste sazonal. O resultado veio acima da mediana de 0,7% das projeções colhidas pelo Valor Data.

                          Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, vê resiliência nos investimentos quando se considera o ambiente de desaceleração econômica e a pressão dos juros no país, com a Selic hoje em 15%, maior patamar em 20 anos. “Tivemos um crescimento que, dada a condição da economia que vivenciamos agora, de desaceleração, fica um pouco aquela ideia de que tem certa resiliência ainda.”

                          Além das plataformas de petróleo, diz Claudia Dionísio, analista do IBGE, outros segmentos que impactaram o FBFC positivamente foram construção e desenvolvimento de software.

                          Leonardo Costa, economista do ASA, vê a alta de 0,9% como surpresa positiva, mas diz que a produção doméstica de bens de capital recuou, e reforça a ideia de resiliência de setores com mais avanço tecnológico recente, que não caracteriza, propriamente, ciclo amplo de investimento.

                          O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI) diz que a “recomposição”, na comparação trimestral, também é puxada por concessões de infraestrutura em meio a melhorias regulatórias. “Temos esse dinamismo contratado de projetos, seja de concessões, PPPs etc., de investimentos que fazem parte desse processo de concessão de infraestrutura. Isso ajudou a dar uma reagida”, diz Rafael Cagnin, diretor-executivo do IEDI.

                          A comparação interanual, diz Vale, mostra entrada em cenário de desaceleração mais forte, apesar da alta. Ele acredita que há chance de o número atingir patamar negativo no futuro. “Talvez já agora no quarto trimestre ou no primeiro trimestre de 2026.”

                          A projeção da MB para a FBCF é de alta de 1,1% no quarto trimestre, 4% no acumulado de 2025 e resultado abaixo de 1% em 2026, que pode ser negativo.

                          Construção

                          O setor de construção surpreendeu com crescimento, depois de dois primeiros trimestres de queda em 2025. Apesar de um saldo de desaceleração, economistas avaliam uma potencial virada que mantenha fôlego do segmento até o fim do ano e em 2026, especialmente pelos investimentos da atividade empresarial e programas habitacionais que devem deslanchar no próximo ano.

                          Segundo o IBGE, a construção civil subiu 1,3% no terceiro trimestre em relação ao segundo trimestre deste ano, em contraste com a expansão tímida de 0,1% do PIB geral. Na comparação interanual, a construção civil teve alta de 2%, desempenho evidenciado pelo aumento da ocupação e da massa salarial real.

                          “O resultado é positivo e acima do que vinha sendo projetado para construção. O efeito da massa salarial, apesar da desaceleração do mercado de trabalho, é de contínuo crescimento com o rendimento real num ritmo muito forte no ano contra igual período de 2024”, detalha ao Valor a economista Ana Maria Castelo, do FGV Ibre.

                          Os estímulos de políticas habitacionais do governo também começam a aparecer e sustentar resultados positivos. O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Renato de Sousa Correia, afirma que o desempenho do terceiro trimestre reflete tanto a retomada “vigorosa” do Minha Casa, Minha Vida este ano em função da nova estratégia de crédito anunciada pelo governo federal para financiar diferentes faixas do programa.

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