IEDI na Imprensa - Acordo Mercosul-UE traz ganho e risco à indústria brasileira
Valor Econômico
Segmentos exportadores têm grande oportunidade com tratado comercial com europeus
Alessandra Saraiva
Especialistas ouvidos pelo Valor divergem sobre os efeitos na indústria brasileira do acordo entre Mercosul e União Europeia. O acordo conecta 27 países europeus aos quatro países do Mercosul e estabelece regras para reduzir barreiras comerciais, com trocas de bens e serviços.
O acordo pode afetar negativamente segmentos de produção nacional, com entrada facilitada de produtos europeus, mais competitivos dizem analistas. Mas pode também abrir novas frentes de comércio a longo prazo e fortalecer a atividade industrial do país.
“A perspectiva é mista e depende do setor”, diz Marina Pereira, responsável por pesquisa & desenvolvimento (P&D) da Associação Brasileira de Automação-GS1 Brasil. Ela afirmou que setores como têxtil e vestuário, mais vulneráveis à competição com produtos importados, precisarão de renovação constante para se adaptar. Alimentos, bebidas e agronegócio devem se beneficiar. Esses setores terão grandes oportunidades de exportação, afirma.
Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos, concorda: “Será fator positivo para a indústria a médio e longo prazos. Vai abrir mais frentes e possibilidades de comércio e fortalecerá a posição do setor produtivo, claro, ao longo do tempo e a depender da condução da política de comércio a partir do início da vigência do acordo”. Ele alerta: “Mas um desafio segue sendo o lado fiscal. É preciso solução mais estrutural e definitiva para o desequilíbrio das contas públicas, expresso na alta do endividamento público em relação ao PIB, pois isso colaboraria para condições financeiras e macroeconômicas melhores” para a indústria”.
Rafael Cagnin, diretor-executivo e economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), afirma que o acordo pode facilitar o acesso da indústria à máquinas e equipamentos mais modernos da Europa. Isso estimularia a modernização de maquinário industrial no país, notou. Mas Cagnin admite que haveria perdas em alguns setores industriais. Ele citou estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) de 2024 sobre o tema, segundo o qual segmentos teriam perdas com o acordo. São eles: veículos e peças, metais ferrosos, artigos do vestuário e acessórios, produtos de metal, têxteis, farmacêuticos, máquinas e equipamentos e equipamentos eletrônicos.
