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                          Carta IEDI

                          Edição 1202
                          Publicado em: 09/05/2023

                          Bimestre positivo, exceto para a indústria

                          Sumário

                          Em fev/23, a maioria dos grandes setores da economia apresentou expansão de seu nível de atividade, à exceção da indústria, cuja produção variou -0,2% na série com ajuste sazonal, seu terceiro mês consecutivo no vermelho. O faturamento real do varejo ampliado e dos serviços avançaram +1,7% e +1,1%, respectivamente.

                          Como a indústria produz muitos bens duráveis, seja para o consumo seja para investimento, o atual ambiente de elevadas taxas de juros tende a comprometer mais seu desempenho. O mesmo vale para alguns ramos do varejo, cujas vendas dependem do crédito. Os serviços, mais associados à renda corrente, têm melhores condições de preservar seu dinamismo, ainda que não contem mais com bases de comparação tão favoráveis como no ano passado.

                          Assim, no acumulado do 1º bim/23 frente ao mesmo período do ano anterior, a produção industrial se retraiu -1,1%, enquanto as vendas do varejo ampliado mantiveram-se praticamente estagnadas, variando apenas +0,1%. Já os serviços cresceram +5,7%, alavancando expansão de +2,87% do indicador IBC-Br do Banco Central, que funciona como uma proxy do PIB.

                          Na indústria, 64% dos ramos industriais e 73% dos parques regionais acompanhados pelo IBGE ficaram no vermelho em jan-fev/23, indicando grande amplitude do enfraquecimento do setor em comparação com a entrada de 2022. Quanto aos macrossetores industriais, metade perdeu produção no período.

                          O caso mais intenso de declínio foi o de bens de capital, com variação de -9,5% ante o 1º bim/22, especialmente devido ao mau desempenho de bens de capital para a própria indústria (-15,6%) e daqueles de uso misto (-17,1%). 

                          Como o IEDI vem alertando, a queda sistemática na produção de equipamentos para a indústria é um indício desfavorável para os investimentos do setor, necessários para sua modernização e para a obtenção de ganhos superiores de produtividade.

                          Entre os parques industriais que caíram mais do que o total Brasil (-1,1%), em jan-fev/23, destacaram-se alguns dos mais importantes do país: São Paulo (-3,3%), com um patamar de queda três vezes mais intenso do que a indústria nacional, e o Rio Grande do Sul (-13,8%), com perda de dois dígitos.

                          No varejo, a estagnação no 1º bim/23 (+0,1%) sucedeu um declínio de -1,0% em nov-dez/22, derivado das fracas vendas na Black Friday e no Natal. Ao todo, 60% dos seus ramos conseguiram crescer, mas metade deles arrefeceu seu dinamismo, o que ajudou a levar o varejo como um todo à situação de virtual estabilidade. 

                          Esta melhora relativa no 1º bim/23 deveu-se principalmente ao retorno ao positivo do ramo de veículos e autopeças (+1,5%), depois de quedas seguidas desde o terceiro bimestre do ano passado. As vendas de material de construção (-2,3%) e de tecidos, vestuário e calçados (-3,5%) não voltaram a crescer, mas reduziram suas perdas. Já o ramo de móveis (-10,6%) não teve a mesma sorte.

                          O quadro do setor de serviços, por sua vez, se mostrou resiliente, mantendo seu desempenho superior vis-à-vis os demais grandes setores da economia, mas apesar disso tem registrado desaceleração. Nos dois últimos trimestres de 2022 havia crescido +8,1% e +7,3%, respectivamente, e agora em jan-fev/23 registrou +5,7%.

                          Dos cinco ramos identificados pelo IBGE, três cresceram menos que o setor como um todo e foram os principais responsáveis por esta desaceleração. O enfraquecimento do dinamismo foi mais intenso no ramo de outros serviços (+0,6% ante jan-fev/22), cuja trajetória tem sido instável.

                          Serviços profissionais, administrativos e complementares (+5,5%) e especialmente transportes e armazenagem (+5,4%), cujo ritmo dinamismo caiu pela metade em comparação com o último trimestre do ano passado, conseguiram resultados muito próximos do agregado do setor.

                          Entre os que cresceram mais fortemente, o destaque fica a cargo do ramo de serviços prestados às famílias (+11,4%), em grande medida porque ainda está em defasagem em relação ao pré-pandemia e, por isso, apresenta espaço para normalização.  

                           
                           

                          Indústria

                          Depois de um período volátil na entrada do último trimestre do ano passado, a indústria tem se mantido em um quadro de virtual estagnação, mas, embora baixas, as variações negativas estão se acumulando. Em fev/23, o padrão se manteve, segundo os dados do IBGE, que assinalaram declínio de -0,2% na série com ajuste sazonal. Ou seja, para a indústria, 2023 ainda não começou.

                           

                          Setorialmente, a perda não se mostrou muito difundida, mas ainda assim atingiu 36% dos ramos identificados pelo IBGE e metade dos macrossetores industriais: bens de consumo duráveis (-1,4%) e semi e não duráveis (-0,1%). Bens de capital ficaram virtualmente estagnados (+0,1%).

                           

                          Regionalmente, a parcela dos parques industriais no vermelho também foi minoritária: 1/3 das 15 localidades acompanhadas pelo IBGE, o que indica um aumento na concentração de maus resultados em comparação com jan/23, quando 7 parques tiveram queda. 

                           

                          No Sul do país, apenas Rio Grande do Sul (-6,9%) voltou a ficar no negativo, tendo sido responsável pelo pior resultado do mês na série com ajuste. A indústria de São Paulo, que declinou pela terceira vez seguida, apresentou alguma amenização (-0,7%), ainda que tenha novamente caído mais do que o total Brasil. Estes foram os principais destaques negativos.

                           

                          A lista de localidades com queda em fev/23 inclui os parques do Centro-Oeste, sendo de -4,9% em Mato Grosso e -2,5% em Goiás, além do Ceará, com -1,9%, tendo sido um dos responsáveis pela desaceleração da indústria do Nordeste, de +6,0% em jan/23 para +2,5% em fev/23, sempre em relação ao mês anterior e com ajuste sazonal.

                          As variações no acumulado do 1º bim/23, entretanto, indicam uma amplitude maior de resultados adversos em comparação com o início do ano passado. Ao todo, 64% dos ramos industriais e 73% das 15 localidades acompanhadas pelo IBGE (isto é, 11 delas) ficaram no vermelho.

                           

                          Entre os parques que caíram mais do que o total Brasil (-1,1%) em jan-fev/23, voltam a se destacar São Paulo (-3,3%), com um patamar de queda três vezes mais intenso do que a indústria nacional, e o Rio Grande do Sul (-13,8%), com perda de dois dígitos.

                          A indústria gaúcha, além de ter tido, também nesta comparação, o pior resultado, viu sinais negativos bastante difundidos em seus diferentes ramos: 85% deles no vermelho, notadamente veículos (-14,1% ante jan-fev/22), metalurgia (-18,7%) e derivados de petróleo (-31,7%).

                          Em São Paulo, 72% de seus ramos industriais perderam produção no 1º bim/23. Os recuos mais intensos atingiram equipamentos de informática e eletrônicos (-31,9%), minerais não metálicos (-15,0%), extrativa (-13,6%) e derivados de petróleo (-8,6%). As maiores altas ficaram a cargo de têxteis (+16,9%) e farmacêuticos e farmoquímicos (+14,1%).

                           

                          A indústria do Nordeste, por sua vez, registrou -5,8%, em função de recuos bastante difundidos em seus estados, especialmente na Bahia (-8,3% ante jan-fev/22) e Ceará (-5,6%). Setorialmente, 60% de seus ramos tiveram perdas, sendo que a maior parte deles de modo bastante intenso, a exemplo do ramo extrativo (-44,6%) e minerais não metálicos (-18,1%).

                           

                          Em direção oposta, entre os parques que contribuíram positivamente estão Minas Gerais (+8,5%) e Rio de Janeiro (++4,8%), em ambos os casos com ajuda de suas indústrias extrativas (+21,9% e +5,2%, respectivamente) e automobilística (+14,3% e +4,2%), entre outros ramos.

                           

                          Comércio

                          Diferentemente da indústria, em fev/23, as vendas do varejo voltaram a se expandir depois de meses seguidos em um quadro de relativa estabilidade. Em seu conceito ampliado, que inclui os segmentos de veículos, autopeças e material de construção, o varejo registrou +1,7% frente a jan/23, já descontados os efeitos sazonais.

                           

                          Muito da alta, entretanto, deveu-se às vendas de veículos e autopeças, que cresceram +1,4% em relação ao mês anterior. Já situação no restante do setor não foi tão animadora. Dos 10 ramos do comércio identificados pelo IBGE, 7 ficaram no negativo.

                          Além de veículos e autopeças, os outros ramos em expansão foram: artigos farmacêuticos, médicos e ortopédicos e de perfumaria (+1,4%), que não conseguiram compensar os recuos anteriores; e livros, jornais, revistas e papelaria (+4,7%), depois de quatro meses seguidos de queda.

                            

                          Na direção oposta, as maiores perdas de fev/23 ficaram por conta de ramos mais dependentes das condições de financiamento e, por isso, com desempenho mais restringido pelos patamares elevados de taxas de juros. 

                          Foram os casos, em maior ou menor grau, de equipamentos de escritório, informática e comunicação (-10,4%), tecidos, vestuário e calçados (-6,3%), material de construção (-2,0%) e móveis e eletrodomésticos (-1,7%), assim como de outros artigos de uso pessoal e doméstico (-2,0%), que incluem as lojas de departamento.

                           

                          Deste modo, no primeiro bimestre do ano, as vendas reais do varejo ampliado se mostram estagnadas, com variação de apenas +0,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Este resultado sucedeu um declínio de -1,0% em nov-dez/22, derivado das fracas vendas na Black Friday e no Natal. 

                          Esta melhora relativa no 1º bim/23 deveu-se principalmente ao retorno ao positivo do ramo de veículos e autopeças, que registrou +1,5%, depois de quedas seguidas desde o terceiro bimestre do ano passado. Outros ramos com progressos foram livros, jornais, revistas e papelaria e equipamentos de escritório, de informática e comunicação. 

                           

                          Material de construção, por sua vez, não voltou a crescer neste início de ano, mas reduziu bastante seu nível de queda, de -9,2% e nov-dez/22 para -2,3% em jan-fev/23. O mesmo ocorreu com tecidos, vestuário e calçados (de -13,6% para -3,5%).

                           

                          Ao todo, 60% dos ramos do varejo conseguiram crescer no 1º bim/23 frente a 1º bim/22, mas metade deles arrefeceu seu dinamismo, o que ajudou a levar o varejo como um todo à situação de virtual estabilidade. 

                          Um dos casos de desaceleração de destaque foi a do ramo de supermercado, alimentos, bebidas e fumo (de +2,6% em nov-dez/22 para +1,6% em jan-fev/23), já que representa 1/3 do varejo como um todo.

                           

                          Serviços

                          Na passagem de jan/23 para fev/23, tal como no varejo ampliado, o faturamento real do setor de serviços ficou no azul, crescendo +1,1%, já descontados os efeitos sazonais, segundo os dados do IBGE. Esta alta, porém, não foi suficiente para compensar o declínio registrado no mês anterior (-3,0%).

                           

                          Apesar disso, o movimento positivo no segundo mês do ano foi setorialmente difundido. Dos cinco ramos identificados na pesquisa do IBGE, três apresentaram avanços. Os mais fortes ficaram a cargo de transportes, armazenagem e correios, com +2,3%, ainda na série com ajuste sazonal, e por informação e comunicação, com +1,6%.

                          Outros serviços (+0,7%), que reúnem um conjunto diversificado de atividades, cresceram menos que o total do setor, mas se saíram melhor do que em jan/23 (-8,6%). Também teve algum progresso, embora não o suficiente para deixar a região negativa, o ramo de serviços profissionais, administrativos e complementares (-2,1% em jan/23 e -1,0% em fev/23).

                           

                          Com isso, um único ramo de serviços piorou de situação e ficou no vermelho em fev/23: serviços prestados às famílias, cujo faturamento real encolheu -0,7%, já descontados os efeitos sazonais. Tal desempenho não chegou a eliminar a expansão registrada no mês anterior.

                          Assim, a despeito dos tropeços, em uma trajetória que não conta mais com bases de comparação tão favoráveis como no ano passado, os serviços mantiveram bons resultados no acumulado do primeiro bimestre deste ano (+5,7%). Em relação à entrada de 2022, todos os seus segmentos apresentaram expansão.

                           

                          Dos cinco ramos, três cresceram menos que o setor como um todo e foram os principais responsáveis pela desaceleração do último quarto de 2022 ao 1º bim/23. Quem menos cresceu foi o ramo de outros serviços, cuja trajetória tem sido mais instável. Registrou apenas +0,6% ante jan-fev/22.

                           

                          Serviços profissionais, administrativos e complementares (+5,5%) e especialmente transportes e armazenagem (+5,4%), cujo ritmo dinamismo caiu pela metade em comparação com o último trimestre do ano passado, conseguiram resultados muito próximos do agregado do setor.

                          Entre os que cresceram mais fortemente está o ramo de serviços prestados às famílias, com +11,4% ante jan-fev/22, pois ainda está em defasagem em relação ao pré-pandemia e, por isso, apresenta espaço para normalização. O segundo ramo é o de informação e comunicação (+7,1%), com avanços em telecomunicação, desenvolvimento de softwares, tratamento de dados, hospedagem na internet e suporte técnico de TI.

                           

                           
                           
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