Análise IEDI
Quedas mais difundidas
A estabilidade da produção industrial em jan/25 foi influenciada pela contribuição negativa de um número pequeno de seus ramos, notadamente o extrativo, como discutimos na semana passada. Os dados divulgados hoje, contudo, mostram que os recuos do ponto de vista regional foram mais amplos, indo além dos parques especializados em atividades extrativas.
Das 15 localidades acompanhadas pelo IBGE, 7 registraram queda da produção industrial na passagem de dez/24 para jan/25, já corrigidos os efeitos sazonais. Isso equivale a uma parcela de 46% dos parques, uma difusão maior do que no recorte setorial, em que 28% dos ramos ficaram no vermelho.
Um dos maiores freios ao desempenho industrial de jan/25 foi o ramo extrativo, cuja produção para o total Brasil caiu -2,4% ante dez/24. Por isso, não é de se estranhar que os parques industriais onde esta atividade pesa mais também tenham ficado no vermelho. Foram os casos do Pará (-3,9%) e do Espírito Santo (-2,6%), por exemplo. Minas Gerais escapou à regra, mas cresceu pouco (+0,8%).
O Rio de Janeiro também conseguiu crescer (+2,3% ante dez/24), embora o ramo extrativo represente um pouco mais da metade de seu parque industrial. Neste caso, além de ter caído no mês anterior (-1,0%), sua trajetória desde a segunda metade de 2024 tem sido de quedas preponderantes na série com ajuste sazonal, de modo que em jan/25 seu nível de produção estava 1,1% abaixo de jun/24.
• Brasil: -0,7% em nov/24; -0,3% em dez/24 e 0% em jan/25;
• São Paulo: -5,1%; -0,5% e +2,4%, respectivamente;
• Rio de Janeiro: +1,5%; -1,0% e +2,3%;
• Nordeste: -0,5%; +1,3% e -4,0%;
• Amazonas: +2,9; +4,3 e -0,6%;
• Rio Grande do Sul: -0,7%; +0,7% e -0,3%, respectivamente.
Entre os 8 parques regionais com aumento de produção em jan/25, 3 deles contaram com bases mais baixas de comparação de modo ainda mais nítido do que no caso do Rio de Janeiro. Este grupo inclui São Paulo, que tem o maior e mais diversificado parque industrial do país. A produção paulista cresceu +2,4%, com ajuste sazonal, mas não compensou o declínio de -5,6% de nov-dez/24.
Os outros dois casos de recuperação insuficiente foram o Ceará, com +7,9% em jan/25, mas que havia caído -9,5% no acumulado de nov-dez/24, e o Paraná, com +0,7% e -5,4%, respectivamente.
Bahia, Santa Catarina e Goiás foram parques que deram continuidade à expansão dos meses anteriores, registrando +2,0%, +1,1% e +0,4%, respectivamente, sempre com ajuste sazonal e em comparação com o mês anterior.
Já entre os demais parques no vermelho, Pernambuco (-22,3%) condicionou a retração da indústria do Nordeste como um todo (-4,0%), que seguiu a toada recente, alternando meses positivos e negativos. Este grupo se completa com Mato Grosso (-2,8%), Amazonas (-0,6%) e Rio Grande do Sul (-0,3%).