Análise IEDI
Há quase um semestre sem crescer
Os dados divulgados hoje pelo IBGE revelam que a indústria brasileira não cresceu nos últimos cinco meses consecutivos, ou seja, há quase um semestre. Embora também possam existir fatores pontuais, é fato de que esta fase adversa coincide com o período de aumento das taxas de juros e das incertezas internas, advindas por exemplo das finanças públicas, e externas, cada vez mais associadas à profunda alteração da governança do comércio internacional.
Na passagem de jan/25 para fev/25, a produção industrial variou -0,1%, já descontados os efeitos sazonais. Desde set/24, há uma perda de -1,2%. Além disso, embora o resultado de fev/25 tenha ficado muito próximo daquele de jan/25 (0%, com ajuste), o sinal negativo se espalhou pelos diferentes ramos do setor.
• Indústria geral: -0,2% em out/24; -0,7% em nov/24; -0,3% em dez/24; 0% em jan/25; -0,1% em fev/25;
• Bens de capital: -3,0%; +1,3%; -3,3%; +2,4% e +0,8%, respectivamente;
• Bens intermediários: +0,6%; -0,7%; +0,7%; -1,6% e +0,8%;
• Bens de consumo duráveis: +1,0%; +0,1%; -2,9%; +3,8% e -3,2%;
• Bens de consumo semi e não duráveis: -1,2%; -2,5%; -2,0%; +3,2% e -0,8%, respectivamente.
No primeiro mês do ano, o recuo havia sido mais localizado, atingindo 32% dos ramos acompanhados pelo IBGE. Esta parcela tornou-se majoritária em fev/25, chegando a 56%. Com isso, a indústria de transformação, que ficou no positivo em janeiro (+0,6%), também entrou no vermelho (-0,5%).
Entre os quatro macrossetores, metade não conseguiu ampliar produção na passagem de jan/25 para fev/25: bens de consumo duráveis, ao registrar -3,2%, devolveu a maior parte do que tinha crescido em jan/25 (+3,8%); bens de consumo semi e não duráveis, a seu turno, voltaram ao negativo (-0,8%), fazendo da alta em jan/25 (+3,2%) uma exceção da trajetória de declínio iniciada em out/24.
Se olharmos o quadro da indústria em comparação com um ano atrás, ainda verificamos expansão, mas a um ritmo bem mais modesto, reflexo da inflexão recente mês após mês na série com ajuste sazonal vista acima.
Depois de uma leve desaceleração de +3,9% para +3,1% do 3º trim/24 para o 4º trim/24, o desempenho do bimestre jan-fev/25 (+1,4%) aponta para redução de metade deste ritmo de crescimento.
Muito disso deve-se aos macrossetores de bens intermediários e de bens de consumo semi e não duráveis, que ficaram praticamente estagnados no primeiro bimestre do ano. No primeiro caso, depois de crescer +2,8% no 4º trim/24, ficou em +0,1% em jan-fev/25. No segundo caso, registrou 0% no último bimestre, evitando o sinal negativo do 4º trim/24 (-0,2%), mas mantendo o quadro de estabilidade.
A produção de bens de capital também perdeu um pouco de força, mas manteve-se em um bom ritmo. Registrou +8,0% em jan-fev/25 ante +14,1% no 4º trim/24, sempre em relação ao mesmo período do ano anterior. No caso de bens de capital para a própria indústria, vale mencionar que a reação iniciada no 2º trim/24 teve continuidade na entrada de 2025, acusando alta de +11,3% em jan-fev/25.
Por fim, a produção de bens de consumo duráveis seguiu crescendo a taxas de dois dígitos: +16,8% em jan-fev/25 ante +17,2% no 4º trim/2, puxada por uma aceleração em automóveis (+16,3%) e outros equipamentos de transporte (20%). O segmento de eletrodomésticos (+16,5%) teve um resultado próximo ao agregado do macrossetor, mas perdeu um pouco de velocidade.